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Gaspar do Amaral

Resiliência · Newsletter «A Porta Estreita»

Dia 228: O efeito dominó

Gaspar do Amaral ·

Capa do artigo «Dia 228: O efeito dominó»

Episódio 3 da série «A Porta Estreita». O choque de Ormuz começou há 228 dias. O petróleo sentiu-o em horas. O seu cabaz das compras está a senti-lo agora. E o mais pesado pode ainda não ter chegado. Não por pessimismo, mas pela forma como funcionam as cadeias de abastecimento.

👉 Antes de ler, responda de cabeça: desde fevereiro, o gasóleo ficou 31% mais caro. Quanto acha que subiu, no mesmo período, o cabaz de 63 bens essenciais acompanhado pela DECO? Guarde o número. A resposta está a meio do artigo e vai surpreendê-lo.

Segunda-feira, oito da manhã. Um camião capota na autoestrada, à entrada da cidade.

Às oito e meia, a GNR já limpou as faixas. O acidente acabou.

Às nove e meia, o senhor António sai de casa, a vinte quilómetros dali, e fica parado na rotunda da sua rua. Olha para o telemóvel: nenhum acidente assinalado na zona. Não percebe porquê.

A causa desapareceu há uma hora. O efeito está a chegar agora à porta dele.

O acidente já foi limpo, o engarrafamento ainda está a chegar: a causa durou 30 minutos, o efeito chegou à rotunda 90 minutos depois. Ilustração.
O acidente já foi limpo, o engarrafamento ainda está a chegar: a causa durou 30 minutos, o efeito chegou à rotunda 90 minutos depois. Ilustração.

A figura lê-se da esquerda para a direita, como um relógio. A caixa vermelha é a causa e já desapareceu quando as caixas laranja, os efeitos, chegam à sua rua. Quem só olha para a rotunda nunca vê o acidente. Quem só olha para o acidente julga que o problema já acabou.

É isto o efeito dominó. E é a razão pela qual quase toda a gente olha para o sítio errado.

O choque que vê hoje nas notícias é o acidente. O que vai pagar no supermercado é a fila. E a fila ainda vem a caminho.

Hoje, dia 228

Hoje, 14 de outubro, é o dia 228. A última contagem publicada pelo PortWatch, o monitor de tráfego marítimo do Fundo Monetário Internacional (FMI), continua a ser a de 4 de outubro: 4 travessias, para 85 por dia antes da crise, cerca de 5% do normal. Há dez dias que não sai uma contagem nova. Num monitor que conta navios pelo sinal que eles próprios emitem, o silêncio também é um dado: muitos navios navegam com o sinal desligado.

Ontem, um petroleiro e um porta-contentores foram atingidos por projéteis de origem desconhecida no estreito. Hoje de manhã, segundo o UKMTO, o centro britânico de operações de comércio marítimo, citado pela imprensa do setor, foram atingidos mais dois navios. A 11 de outubro, um drone atingiu o petroleiro Petro Dolphin e dois marinheiros indianos estão desaparecidos. O seguro de risco de guerra de um petroleiro custa, segundo estimativas, cerca de 30 vezes o valor de antes da crise. E o Brent, o petróleo de referência na Europa, subiu para cerca de 106 dólares por barril, contra cerca de 72 antes de 28 de fevereiro.

A porta continua quase fechada. Mas este episódio não é sobre a porta. É sobre o que já passou por ela e ainda não chegou até si.

1. O resultado do vosso teste: zero

No episódio 2 pedi-lhe um número de 0 a 5: quantas das coisas essenciais da sua casa param se faltar a luz. Prometi publicar o resultado. Cumpro a promessa: a publicação foi vista mais de mil vezes, recebeu cinco reações e nenhum número.

Não é uma crítica a quem leu. É o resultado mais instrutivo que podia ter recebido. Ler sobre um risco leva dois minutos; parar dez minutos para o medir já é outra coisa. É exatamente o que acontece nas organizações: o plano de emergência é lido, aprovado e arquivado, e o teste fica para depois. Até ao dia em que a luz se apaga.

Um plano que nunca foi testado não é um plano. É uma hipótese.

2. Cinco peças, cinco atrasos

No episódio 1 descrevi a crise como um dominó de cinco peças. Cada peça derruba a seguinte, mas com um atraso cada vez maior. Passaram sete meses. Já é possível pôr uma data em cada peça.

Cada peça do dominó que cai levanta uma onda. O dominó diz a ordem; as ondas dizem quando e onde cada peça chega. A imagem mostra as cinco, uma a uma, com o que está em causa e um exemplo de casa e de empresa.

As cinco ondas, do petroleiro parado ao carrinho das compras: o que está em causa em cada uma, quanto demora a chegar e o que muda em casa e na empresa. Hoje, dia 228, estamos entre a 4.ª onda (colheitas menores) e a 5.ª (comida mais cara e inflação)
As cinco ondas, do petroleiro parado ao carrinho das compras: o que está em causa em cada uma, quanto demora a chegar e o que muda em casa e na empresa. Hoje, dia 228, estamos entre a 4.ª onda (colheitas menores) e a 5.ª (comida mais cara e inflação)

Leia a imagem da esquerda para a direita, como uma fila de dominós. Cada cartão é uma onda: no topo, quanto tempo demora a chegar; ao meio, o que está em causa; em baixo, um exemplo real de 2026 em casa e outro na empresa. Repare nas duas primeiras linhas «Em casa»: nas ondas 2 e 3 nada se vê na prateleira, e é precisamente por isso que quase ninguém se prepara. A seta vermelha marca onde estamos hoje.

Tabela 1 — O calendário das ondas: em que dia chegou cada uma e onde estamos hoje, dia 228.
Tabela 1 — O calendário das ondas: em que dia chegou cada uma e onde estamos hoje, dia 228.

Leia a tabela de cima para baixo, como quem conta os dias. A primeira onda chegou no próprio dia do fecho; a segunda, 46 dias depois; a terceira, ao fim de três meses; a quarta e a quinta, mais de sete meses depois. A linha cor-de-rosa é a de hoje: a comida mais cara está a começar a chegar ao cabaz português e ainda vem a caminho do resto da Europa.

A consequência prática é desconfortável. Mesmo que Ormuz reabrisse amanhã, as ondas que já partiram continuariam a chegar durante meses. Tal como na autoestrada: limpar o acidente não desfaz a fila que já se formou.

👉 Pare 10 segundos: em sua casa ou na sua empresa, qual foi a última coisa que ficou mais cara? E há quantos meses começou a causa?

3. Porque é que o pão sobe menos, e mais tarde

Se o gasóleo subiu 31%, porque é que o pão não subiu 31%? Porque o preço final é uma mistura. Cada ingrediente do custo pesa uma parte, e só essa parte sobe.

A energia sobe 15%, o transporte 20%, e o pão sobe 5%. Mas sobe meses depois. Valores ilustrativos, escolhidos para ensinar o método.
A energia sobe 15%, o transporte 20%, e o pão sobe 5%. Mas sobe meses depois. Valores ilustrativos, escolhidos para ensinar o método.

Do lado esquerdo está a «receita» do custo de um pão: farinha, energia do forno, transporte, mão de obra e o resto. Cada barra é o peso dessa parte no custo e quanto ela subiu. Do lado direito está quanto cada parte empurra o preço final. As partes que não sobem, como a mão de obra neste exemplo, diluem o choque. É por isso que o pão sobe muito menos do que o gasóleo.

A equação:

A equação do preço — A subida do preço final é a soma, parte a parte, do peso de cada parte vezes a sua subida: Δp ≈ Σ q × Δc.
A equação do preço — A subida do preço final é a soma, parte a parte, do peso de cada parte vezes a sua subida: Δp ≈ Σ q × Δc.

Δp (lê-se «delta p») é a subida do preço final. Cada q é o peso de uma parte no custo; a farinha, por exemplo, pesa 30%. Cada Δc é quanto subiu essa parte. Multiplica-se o peso pela subida e somam-se as parcelas: 0,30 × 5% + 0,10 × 15% + 0,10 × 20% = 1,5 + 1,5 + 2,0 = 5,0%.

Há uma segunda lição escondida. Uma parte do custo só passa para o preço quando se esgota o stock antigo, comprado barato. A farinha que hoje está no armazém da padaria foi comprada há meses. Entre a causa e o preço existe uma camada de stocks e de contratos que funciona como amortecedor e, ao mesmo tempo, como relógio. É essa camada que cria o atraso.

📅 A régua de 2022: o Banco Central Europeu (BCE) estimou que a energia direta representa apenas cerca de 3% dos custos não salariais do setor alimentar da zona euro. Parece pouco. Mas os mesmos dados mostram a força do atraso: o preço grossista do gás atingiu o máximo em setembro de 2022; a inflação dos alimentos atingiu o pico, perto de 15%, em março de 2023. Seis meses depois. A energia entra pouco pela porta da frente e muito pelas portas laterais: o adubo, o frete, a embalagem, o frio.

Em 2022, o gás bateu no teto em setembro. O prato bateu no teto em março. A fila demorou seis meses a chegar à mesa.

4. A resposta à pergunta do início

O gasóleo passou de 1,659 euros por litro, a 1 de fevereiro, para 2,180 euros, a 2 de outubro: mais 31%.

E o cabaz? A 27 de fevereiro, véspera do fecho do estreito, custava 253,19 euros. A 7 de outubro custava 255,56 euros. Mais 2,37 euros. Menos de 1%.

O cabaz da DECO em 2026: subiu na primavera, bateu o recorde de 261,89 € em maio, andou entre 253 e 257 € no verão e volta agora a subir. Fonte: DECO PROteste.
O cabaz da DECO em 2026: subiu na primavera, bateu o recorde de 261,89 € em maio, andou entre 253 e 257 € no verão e volta agora a subir. Fonte: DECO PROteste.

Cada ponto é um valor semanal do cabaz de 63 bens publicado pela DECO; entre alguns pontos há semanas sem valor recolhido para este gráfico. A linha vermelha tracejada marca o fecho do estreito. O que importa é a forma: um primeiro solavanco na primavera, um verão aos altos e baixos entre 253 e 257 euros e uma nova subida precisamente quando os cereais disparam nos mercados mundiais.

Quem respondeu «perto de 30%» confundiu o acidente com a fila. Quem respondeu «quase nada» acertou. Por agora.

Porque os sinais da semana passada são o início da 5.ª onda, a da comida mais cara: o cabaz subiu 1,34 euros numa só semana; os cereais integrais subiram 29% em sete dias; o carapau está 42% mais caro do que há um ano; desde janeiro, o cabaz já subiu 5,68%. E a FAO avisou, a 2 de outubro, que se estas pressões se mantiverem, vão passar em breve para os preços pagos pelos consumidores.

Se 2022 servir de régua, com cerca de seis meses entre o pico da energia e o pico do prato, a subida que hoje está nos mercados mundiais de cereais deverá ir chegando ao supermercado ao longo do inverno e da primavera. Não é uma profecia. É a soma dos atrasos.

👉 Faça a conta em sua casa: procure um talão de compras de fevereiro e compare-o com o desta semana. Diga-me nos comentários quanto subiu o seu, em percentagem.

5. A mesma onda, quatro continentes

A pedra caiu num só sítio, mas a fila espalha-se por todo o mundo, e em cada continente entra por uma porta diferente.

Dia 228, hoje: em Portugal começa a 5.ª onda, a da comida mais cara. O cabaz da DECO subiu 1,34 euros numa semana.
Dia 228, hoje: em Portugal começa a 5.ª onda, a da comida mais cara. O cabaz da DECO subiu 1,34 euros numa semana.

A novidade é o carrinho das compras em Portugal: é a 5.ª onda a chegar ao cabaz. Na Europa, a energia já está 18,8% mais cara, mas os alimentos ainda só sobem 1,4%: o carrinho europeu ainda não apareceu.

🔹 Europa: entra pela fatura da energia. Energia +18,8% num ano; alimentos ainda só +1,4%. A 5.ª onda, a da comida mais cara, está à porta.

🔹 América do Norte: entra pela bomba de gasolina. O galão custava 4,41 dólares a 1 de outubro, mais 40% num ano, num país que produz mais petróleo do que gasta.

🔹 América do Sul: entra pelo adubo. O Brasil importa cerca de 85% dos adubos que usa. Menos adubo hoje é menos soja amanhã, e essa soja alimenta porcos e galinhas também na Europa.

🔹 Ásia: entra pelo apagão. O Paquistão programou cortes de luz e parou fábricas de adubo para enviar o gás para as centrais.

🔹 E outras pedras caíram na mesma piscina: os portos do Mar Negro, por onde sai cerca de 27% do trigo do mundo, quase pararam, e o oleoduto saudita que contornava Ormuz foi atingido duas vezes. Quando as ondas de duas pedras se encontram, somam-se.

👉 Veja as ondas a andar: o vídeo de cerca de minuto e meio com a evolução do dia 0 até ao inverno, com as notícias que confirmam cada passo, está na publicação que acompanha este artigo.

A porta pode abrir num dia. A fila demora anos a desfazer-se.

6. O relógio das ondas: agir na onda anterior

Se cada onda chega com atraso, esse atraso é tempo. E o tempo, em resiliência, é a única coisa que não se compra no dia da crise.

A regra é simples: a melhor altura para se preparar para uma onda é quando chega a anterior. O intervalo entre as duas é o seu prazo para decidir.

Hoje, dia 228, estamos entre a 4.ª onda, a das colheitas mais pequenas, e a 5.ª, a da comida mais cara e da inflação. Isto quer dizer que o tempo de nos prepararmos para a comida mais cara é agora. Não quando ela aparecer nas notícias.

🔹 Em casa: rever o orçamento das compras a seis meses e não ao mês; experimentar marcas e formatos alternativos antes da subida, e não depois; manter uma despensa rotativa para duas semanas, que se gasta e repõe, para não desperdiçar.

🔹 Na empresa: perguntar a cada fornecedor quando acabam os stocks e contratos comprados a preço antigo, porque essa data é a data da sua próxima subida; rever preços de venda e prazos de pagamento; proteger a tesouraria antes de a inflação chegar aos juros.

🔹 No Estado: acompanhar os indicadores das ondas anteriores, como os fretes, os adubos e as sementeiras, e não apenas o preço final. Quando a subida aparece na estatística da inflação, a janela para agir já fechou.

7. O que é previsível: o calendário até 31 de dezembro de 2028

Até aqui, o relatório do que já aconteceu. Agora, o plano do que é previsível acontecer, e em que data. É um cenário, não uma profecia: assenta em três pressupostos que qualquer leitor pode verificar.

Os três pressupostos, todos com fonte: o estreito começa a reabrir a 31 de dezembro de 2026, o dia 306 (Banco Mundial); as ondas recuam pela mesma ordem em que chegaram, e a descida é mais lenta do que a subida, como em 2022; e repor os stocks mundiais pode demorar até dois anos (Aramco), ou seja, até 31 de dezembro de 2028, o dia 1037.

O calendário das ondas até 31 de dezembro de 2028: a subida que já aconteceu e a descida previsível, em cenário.
O calendário das ondas até 31 de dezembro de 2028: a subida que já aconteceu e a descida previsível, em cenário.

Cada linha é uma onda. A cor cheia, à esquerda da linha vermelha de hoje, é o que já aconteceu. O riscado é o tempo em que os preços devem continuar altos. A caixa tracejada é o recuo previsível. Repare na escada: a energia recua logo em janeiro de 2027, mas a comida só começa a descer em meados de 2027 e só acaba de recuar a meio de 2028. O triângulo vermelho marca o pico provável da comida, em março e abril de 2027.

Tabela 5 — O plano do previsível até 31/12/2028: o que deve acontecer, quando, o que se nota em casa e que notícia o confirma.
Tabela 5 — O plano do previsível até 31/12/2028: o que deve acontecer, quando, o que se nota em casa e que notícia o confirma.

Leia a tabela de cima para baixo, como uma agenda. A última coluna é a mais importante: diz qual é a notícia que vai confirmar, ou desmentir, cada linha. É isso que transforma uma previsão num plano verificável. Nos próximos episódios, as linhas vão sendo riscadas à medida que as notícias chegarem.

A subida veio de elevador. A descida vem pelas escadas.

E se o estreito não reabrir a 31 de dezembro? Então todo o calendário anda para a direita. É a soma dos atrasos a funcionar: cada mês de atraso na porta soma um mês a todas as ondas.

👉 Guarde a Tabela 5. Daqui a três meses, compare-a com as notícias. É assim que se mede se um plano estava certo.

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📄 Nos comentários deste artigo, de dois em dois dias, três complementos em PDF:

• 15 de outubro, dia 229 — A piscina em quatro momentos: os quatro mapas das ondas, do dia 213 ao inverno.

• 17 de outubro, dia 231 — Quatro continentes e outras pedras: por onde a onda entra em cada parte do mundo, o Mar Negro, o oleoduto saudita e o que cada onda dá no limite, a fome.

• 19 de outubro, dia 233 — O relógio das ondas: o que fazer em casa, na empresa e no Estado, e a ficha para fazer o seu plano em 10 minutos.

A numeração das tabelas é comum ao artigo e aos três complementos: aqui aparecem a Tabela 1 e a Tabela 5.

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A sua vez

👉 Responda nos comentários só com uma letra: qual é a próxima onda a chegar a sua casa ou à sua empresa?

A) Combustível e energia

B) Cabaz das compras

C) Prestação e juros

D) Ainda não sei, e isso preocupa-me

👉 E a segunda oportunidade: faça o teste do episódio 2 e deixe aqui também o seu número, de 0 a 5. No episódio 4 publico o resultado, seja ele qual for.

👉 Conhece alguém que faz as compras de uma cantina, de um lar, de uma instituição particular de solidariedade social (IPSS) ou de uma pequena empresa? Envio-lhe o complemento 3, «O relógio das ondas», que sai nos comentários a 19 de outubro, com a ficha para preencher. A janela para se preparar para a 5.ª onda, a da comida mais cara, está aberta agora.

O choque de hoje é notícia. A fatura de amanhã é aritmética.

Este é o episódio 3 da série «A Porta Estreita». Na próxima terça-feira, 20 de outubro: 4️⃣ A ilusão de ter dois, porque é que dois fornecedores, duas rotas ou duas redes nem sempre valem dois.

Subscreva a newsletter para receber cada episódio às terças.

Nota metodológica. (1) «Dia» são os dias completos desde 28/02/2026; alguns monitores contam de outra forma e indicam um dia de diferença. (2) Gasóleo: (2,180 − 1,659) ÷ 1,659 = +31,4%. (3) Cabaz: (255,56 − 253,19) ÷ 253,19 = +0,94%. (4) Os valores do cabaz a 23/04 (260,89 €), 08/07 (256,71 €) e 23/09 (254,11 €) foram calculados a partir da variação semanal anunciada na semana seguinte; os restantes são publicados pela DECO PROteste. (5) O intervalo de seis meses entre o pico do gás (setembro de 2022) e o pico da inflação alimentar (março de 2023) é cálculo meu a partir das datas do BCE; o BCE não estima esse atraso. (6) O exemplo do pão usa pesos e subidas ilustrativos. (7) As datas das ondas na Tabela 1 são as dos factos citados no texto; os atrasos típicos são os do episódio 1. (8) Mapa de hoje: os círculos são ilustrativos, sem medir distâncias; os bonecos de cada região correspondem a factos datados citados nas referências. (9) Calendário futuro: 31/12/2026 = dia 306; 31/12/2028 = dia 1037; os recuos usam, a partir da reabertura, os atrasos típicos do episódio 1; o pico da comida em março e abril de 2027 aplica a régua de 2022. Texto e figuras do autor, com recurso a IA.

Referências

Straits.live (14/10/2026). Situação do Estreito de Ormuz: última contagem do IMF PortWatch (4 travessias a 04/10), Brent, seguro de risco de guerra. https://straits.live/

Straits.live — boletim diário (14/10/2026). Mais dois navios atingidos no estreito, segundo o UKMTO, via The Maritime Executive. https://straits.live/briefs/2026-10-14

Straits.live — boletim diário (13/10/2026). Petroleiro e porta-contentores atingidos por projéteis de origem desconhecida no estreito. https://straits.live/briefs/2026-10-13

Straits.live — boletim diário (12/10/2026). Ataque com drone ao petroleiro Petro Dolphin; dois marinheiros indianos desaparecidos. https://straits.live/briefs/2026-10-12

FMI — PortWatch (—). Tráfego diário no Estreito de Ormuz. https://portwatch.imf.org/pages/chokepoint6

OMC — Organização Mundial do Comércio (10/07/2026). Fertilizantes: ureia acima de 850 USD/t em abril. https://www.wto.org/english/blogs_e/data_blog_e/blog_dta_10jul26_451_e.htm

FAO (2026). Riscos para a segurança alimentar e o limite das sementeiras. https://www.fao.org/newsroom/detail/fao-chief-economist-warns-of-severe-global-food-security-risks-from-disruption-to-strait-of-hormuz-trade-corridor/en

FAO (02/10/2026). Índice de Preços dos Alimentos de setembro de 2026. https://www.fao.org/newsroom/detail/fao-food-price-index-rises-in-september-amid-weather-concerns-and-transport-disruptions/en

DECO PROteste, via DNoticias / Lusa (07/10/2026). Cabaz de 63 bens: 255,56 €; +1,34 € numa semana; +5,68% desde janeiro. https://www.dnoticias.pt/2026/10/7/508079-cabaz-alimentar-volta-a-subir-para-25556-euros-na-ultima-semana/

DECO PROteste, via Renascença (27/02/2026). Cabaz de 63 bens: 253,19 €. https://rr.pt/noticia/economia/2026/02/27/cabaz-alimentar-da-deco-aumentou-quase-70-euros-desde-o-inicio-da-guerra-na-ucrania/461068/

DECO PROteste, via RTP (05/2026). Cabaz atinge 261,89 €. https://www.rtp.pt/noticias/economia/cabaz-alimentar-volta-a-subir-para-26189-euros-na-semana-passada_n1739353

DECO PROteste, via ECO (13/05/2026). Cabaz desce para 260,41 € após recorde. https://eco.sapo.pt/2026/05/13/cabaz-alimentar-desce-para-26041-euros-apos-bater-recorde-na-semana-passada/

Contas Poupança (02/10/2026). Preço médio do gasóleo a 01/02/2026 (1,659 €/L). https://contaspoupanca.pt/carro/combustiveis/2026-10-02-preco-dos-combustiveis-na-proxima-semana--5-a-11-de-outubro--bf3fde87

DGEG / ACP, via O Digital (02/10/2026). Preço médio do gasóleo (2,180 €/L). https://odigital.sapo.pt/combustiveis-descida-gasoleo-gasolina-5-outubro-2026/

INE, via TSF (30/09/2026). Inflação de 3,6% em setembro; energia +15,4%. https://www.tsf.pt/economia/artigo/taxa-de-inflacao-acelera-para-36-em-setembro-impulsionada-pelos-combustiveis/18132018

BCE — Boletim Económico 2/2024 (2024). What were the drivers of euro area food price inflation over the last two years? https://www.ecb.europa.eu/pub/economic-bulletin/focus/2024/html/ecb.ebbox202402_04~9b36bced23.en.html

Eurostat, via NewKerala (02/10/2026). Estimativa rápida da inflação da zona euro em setembro: 3,8%; energia +18,8%; alimentos +1,4%. https://www.newkerala.com/news/a/inflation-europe-jumps-38-september-energy-inflation-188-652.htm

AAA (01/10/2026). Preço médio nacional da gasolina nos EUA: 4,41 US$/galão; 3,16 um ano antes; setembro recorde. https://gasprices.aaa.com/national-average-dips-following-record-setting-september/

ISTOÉ / Deutsche Welle (12/03/2026). O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes (Embrapa); 41% da ureia importada em 2025 passou por Ormuz (Agrinvest). https://istoe.com.br/como-guerra-no-ira-afeta-o-agronegocio-do-brasil/

Reuters, via Datamar News (08/06/2026). Agricultores de soja brasileiros tinham comprado cerca de 50% do adubo de 2026/27, contra mais de 60% habitualmente. https://datamarnews.com/noticias/soaring-fertilizer-prices-dim-brazilian-farmers-edge-over-us-rivals/

Wood Mackenzie (12/10/2026). Ásia do Sul: dependência do gás natural liquefeito do Catar; cortes de eletricidade; preços pagos pela Índia. https://www.woodmac.com/press-releases/south-asia-lng-demand-growth-derailed-as-middle-east-conflict-exposes-critical-supply-vulnerabilities/

CSIS (26/08/2026). Paquistão: cortes de eletricidade programados e fábricas de adubo paradas. https://www.csis.org/analysis/pakistans-lng-imports-under-pressure-impacts-strait-hormuzs-closure-and-pakistans

Nippon.com / Jiji (25/08/2026). Japão mantém o preço-alvo da gasolina perto dos 170 ienes por litro. https://www.nippon.com/en/news/yjj2026082500825/

DECO PROteste, via ECO / Postal / Observador / DNoticias / RTP (07–09/2026). Valores semanais do cabaz no verão: 253,63 € (01/07), 256,46 € (15/07), 253,55 € (19/08), 254,73 € (02/09), 255,97 € (16/09). https://www.rtp.pt/noticias/economia/cabaz-alimentar-sobe-pela-terceira-semana-consecutiva-para-25597-euros_n1765842

Observador / Lusa (19/08/2026). Cabaz alimentar sobe 1,48 euros para 253,55 euros. https://observador.pt/2026/08/19/cabaz-alimentar-sobe-148-euros-na-ultima-semana-para-25355-euros/

DailyFuels (09–10/2026). Preço médio do gasóleo em Portugal em setembro de 2026 (≈ 2,16 €/L). https://dailyfuels.com/portugal/?lang=pt

Straits.live — boletim diário (05/10/2026). 239 navios com AIS parados na zona do estreito e do Golfo. https://straits.live/briefs/2026-10-05

Banco Mundial, via The National (06/10/2026). Previsões para o Médio Oriente e o Norte de África e para o Golfo em 2026. https://thenationalnews.com/business/economy/2026/10/06/world-bank-says-middle-east-economy-to-contract-21-in-2026-on-iran-war

CSIS (11/09/2026). How Do the Latest Black Sea Attacks Affect Global Food Security? (27% do trigo mundial; portos parados; USDA −11%). https://www.csis.org/analysis/how-do-latest-black-sea-attacks-affect-global-food-security

The Moscow Times (17/08/2026). Ukrainian Strikes Halt Most Russian Grain Exports in the Black Sea. https://www.themoscowtimes.com/2026/08/17/ukrainian-strikes-halt-most-russian-grain-exports-in-the-black-sea-a93517

Al Jazeera (12/09/2026). Saudi Arabia shuts critical oil pipeline after drone attack. https://www.aljazeera.com/news/2026/9/12/saudi-arabia-shuts-critical-oil-pipeline-after-drone-attack-what-happened

Türkiye Today / AFP (05/10/2026). Saudi East-West pipeline halted again after fresh attack. https://www.turkiyetoday.com/region/saudi-east-west-pipeline-halted-again-after-fresh-attack-3229662

FAO e PAM (17/06/2026). Hunger Hotspots: 13 focos de fome; financiamento da ajuda alimentar −59% entre 2022 e 2025. https://www.wfp.org/news/new-fao-wfp-report-warns-worsening-hunger-puts-13-hotspots-significant-risk

ONU News (17/03/2026). Middle East war risks pushing 45 million more people into acute hunger. https://news.un.org/en/story/2026/03/1167147

Euronews (13/10/2026). «People survive on one meal a day»: Oleshky (não verificável de forma independente). https://www.euronews.com/2026/10/13/people-survive-on-one-meal-a-day-oleshky-official-warns-against-giving-russia-more-territo

Malay Mail / AFP (10/10/2026). A year after Gaza ceasefire, families still queue hours for one meal a day. https://malaymail.com/news/world/2026/10/10/a-year-after-gaza-ceasefire-families-still-queue-hours-for-one-meal-a-day/238547

Gaspar do Amaral (27/09/2026). Dia 211: A Porta Estreita por onde passa a nossa resiliência (episódio 1). https://www.linkedin.com/pulse/dia-211-porta-estreita-por-onde-passa-nossa-gaspar-do-amaral-vd9gc/

#Resiliência #CadeiasDeAbastecimento #SegurançaAlimentar #Inflação #GestãoDeRisco #Portugal

Siga as ondas, todos os dias

As cinco ondas desta série são medidas todos os dias no Painel «A Porta Estreita», com dados abertos: a 1.ª, energia presa (navios em Ormuz e petróleo Brent); a 2.ª, transporte e adubos mais caros (preço da ureia); a 3.ª, menos adubo nos campos (ureia comparada com o trigo); a 4.ª, colheitas menores e cereais mais caros (índice da FAO); e a 5.ª, comida mais cara (inflação dos alimentos e cabaz da DECO). Cada número traz a conta feita passo a passo, para a poder refazer com papel e lápis.

Pense num boletim meteorológico: o artigo explica como se formam as tempestades; o painel diz que tempo faz hoje. E as previsões da série ficam registadas com a data em que foram feitas, para que os próprios dados digam se acertaram.

A discussão está no LinkedIn

Os comentários a este texto fazem-se no LinkedIn, onde foi publicado a 14 de outubro de 2026. Concorde, discorde ou acrescente dados: todas as objeções fundamentadas recebem resposta.

Gaspar do Amaral · 14 de outubro de 2026 · Texto publicado primeiro no LinkedIn; a versão integral fica neste site, que passa a ser a de referência · Imagens © Aprecisa.com