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Gaspar do Amaral

Energia e sistema elétrico

Preço Spot vs. System LCOE

Gaspar do Amaral ·

Capa do artigo «Preço Spot vs. System LCOE»

🚨O Ilusionismo Contabilístico e a Tática da Ancoragem Cognitiva: Do Ecrã de Trading à Fatura do Consumidor🚨

Quem acompanha o debate energético em Portugal cruza-se diariamente com uma coreografia estatística curiosa: a publicação reiterada de mapas europeus de preços grossistas (spot), onde a Península Ibérica surge invariavelmente pintada de um verde triunfante.

🟩 À primeira vista, este exercício parece um ato de literacia e transparência de mercado. Contudo, aos olhos de quem aplica há anos o rigor da Engenharia de Sistemas complexos (no Terreno, no Mar e no Ar), esta cadência de publicações não é inocente. Trata-se de uma tática premeditada de ancoragem cognitiva.

🧠 Para compreender este ilusionismo contabilístico, temos de descer do Excel financeiro para a verdadeira sala das máquinas.

🎯 1. O Condicionamento do Estudo "Total System Costs" e a Comissão Europeia O objetivo de inundar a rede profissional com a 'fotografia' diária do mercado spot é claro: condicionar a opinião pública e os decisores políticos antes mesmo que o prometido estudo aos Custos Totais do Sistema (TSC) da DGEG avance, cujo prazo termina amanhã (05.05.2026).

Ao criar a ilusão ótica de que o atual modelo ibérico é um sucesso absoluto, tenta-se cristalizar uma premissa falsa. Desta forma, quando um estudo metrológico sério ousar contabilizar a verdadeira fatura da estabilidade e da Inércia Síncrona, parecerá, aos olhos do público, um ataque infundado. É a defesa do lucro fácil pela via da saturação estatística. 📉

Mas o rigor exige factos e a realidade desmente o otimismo: recentemente, veio a público que a Comissão Europeia deu um prazo de apenas dois meses a Portugal para responder por incumprimento e falhas no desenho do mercado da eletricidade e transposição de diretivas (🔗 Fonte: https://zap.aeiou.pt/comissao-europeia-processa-portugal-renovaveis-740208).

Qual foi a resposta do autor dos referidos mapas verdes perante este processo europeu? Uma ligeireza de quem afirma que "não sabia".

Como pode este sistema ser um caso de estudo de sucesso se a própria Comissão Europeia levanta processos de infração sobre as regras e falhas do nosso mercado de eletricidade? Celebrar o preço marginal do eletrão enquanto se ignora as notificações severas de Bruxelas sobre a desregulação do sistema é o epítome do ilusionismo contabilístico e da fuga à responsabilidade técnica. 🇪🇺⚖️

📉⚡ 2. A Realidade Física: Preço Spot vs. System LCOE A narrativa de que vivemos uma era de superabundância e energia gratuita assenta num erro grave: a confusão entre o preço grossista (mercado spot) e o Custo Efetivo do Sistema (System LCOE). Quando o mercado marca preços nulos ou negativos, isso não reflete abundância real, mas sim o colapso do mercado na compra de segurança física. Significa que os Operadores de Sistema (TSOs) estão a intervir fora do mercado para salvar a rede, pagando fortunas para manter centrais térmicas (a gás ou carvão) a funcionar única e exclusivamente como seguranças do sistema.

Por exemplo, para ter algum distanciamento temporal, os dados estruturais europeus que compilei para o dia 6 de abril de 2026 são taxativos: 🇵🇹🇪🇸 Em Portugal e Espanha, os atrativos ~19 €/MWh do ecrã mascaravam um System LCOE estimado em ~39 €/MWh. Esta diferença de 20 €/MWh representa o agravamento de segurança: temos muitas renováveis, mas o sistema ainda exige um suporte térmico dispendioso que adiciona custo total. 🇵🇱 O caso mais extremo de distorção europeia era a Polónia: exibia uns gloriosos -3 €/MWh no preço de mercado, mas escondia um System LCOE de ~42 €/MWh, alavancado por mecanismos de capacidade pagos à parte.

🗣️ Como conclui essa análise de 06.04.2026: o preço de mercado (OMIE) é para o trader; o System LCOE é para o país.

A dissecação completa destas patologias de rede e a matriz detalhada do System LCOE para 18 países europeus não cabem num post diário. Deixo o escrutínio implacável da Engenharia de Sistemas documentado neste artigo, para memória futura: 🔗 https://www.linkedin.com/pulse/o-ilusionismo-contabil%C3%ADstico-da-transi%C3%A7%C3%A3o-energ%C3%A9tica-do-do-amaral-weqqc/?trackingId=TwtyU160URY1hh6jwkcHXQ%3D%3D

💶 3. A Privatização do Eletrão e a Socialização da Física A falha fundamental do atual modelo é que otimizar um sub-subsistema (a produção de eletrões a custo marginal zero) gera inevitavelmente a sub-otimização do sistema global, resultando na explosão dos custos logísticos, de rede e de inércia. O mapa diário é verde, mas a fatura física da injeção cega de intermitência é empurrada de forma opaca para a fatura do consumidor final através das Tarifas de Acesso às Redes e dos Custos de Interesse Económico Geral (CIEG). O promotor privado fatura a energia no ecrã de trading; o contribuinte português paga o vazio inercial para o sistema não colapsar. 🏭💸

🛡️ 4. A Única Vacina: A Lei REI e a IEC 61850 Nesta narrativa de defesa do status quo, argumenta-se também que as interligações resolvem o problema. Mais um erro físico. Os cabos de alta tensão transportam fluxos financeiros, mas não transportam estabilidade transitória por centenas de quilómetros.

É para travar este silêncio sistémico que submeti à tutela a Lei da Responsabilidade Energética Integral (Lei REI). A solução exige o Princípio do Causador-Pagador Ciberfísico. Quem injeta intermitência tem de instalar Neurónios Ativos (BESS em modo Grid-Forming) no seu próprio nó de injeção, sustentados pela metrologia ponta a ponta da norma IEC 61850. 💻🔌

A verdadeira transição só será bem-sucedida quando o rigor da Engenharia de Sistemas substituir a pirotecnia financeira.

A matemática da inércia síncrona não perdoa ilusionismos. Exige Verticalidade. 📐⚖️

Gaspar do Amaral

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Os comentários a este texto fazem-se no LinkedIn, onde foi publicado a 4 de maio de 2026. Concorde, discorde ou acrescente dados: todas as objeções fundamentadas recebem resposta.

Gaspar do Amaral · 4 de maio de 2026 · Texto publicado primeiro no LinkedIn; a versão integral fica neste site, que passa a ser a de referência · Imagens © Aprecisa.com