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Gaspar do Amaral

Resiliência · Newsletter «A Porta Estreita»

Dia 241: O painel que responde

O ponto de situação da crise de Ormuz, as oito perguntas respondidas pelos dados do dia, e como funciona o Painel A Porta Estreita

Gaspar do Amaral ·

Capa do artigo «Dia 241: O painel que responde»

Episódio 5 da série «A Porta Estreita». Nos últimos episódios fiz perguntas no fim de cada texto. Recebi muitos gostos e poucas respostas. Este episódio inverte a ordem: as perguntas estão feitas, e quem responde, todos os dias, são os dados.

👉 Antes de ler, escolha uma das oito perguntas da Tabela 1, a que mais lhe interessa. No fim, vai poder confirmar a resposta no painel, com os números de hoje.

Na Póvoa de Varzim, à porta da capitania, há um mastro. Todas as manhãs, alguém sobe uma bandeira: verde, mar calmo; amarela, cuidado; vermelha, ninguém sai.

O pescador não pergunta a ninguém se o mar está bom. Olha para o mastro. E sabe que a bandeira não é uma opinião: é o que a capitania mediu nessa manhã, o vento, a ondulação, a barra.

Durante 240 dias, esta série contou a crise de Ormuz como se conta um temporal: o que aconteceu, o que vem a seguir, o que cada família pode fazer. Faltava o mastro. Um sítio onde qualquer pessoa, da criança ao ministro, visse a bandeira do dia sem ter de perguntar.

Esse sítio existe desde ontem. Chama-se Painel A Porta Estreita, está em porta.aprecisa343.com, e atualiza-se sozinho duas vezes por dia.

Uma bandeira não é uma opinião. É uma medição com data, à vista de todos.

Hoje, dia 241: o ponto de situação

Hoje, 27 de outubro, é o dia 241 desde que o Estreito de Ormuz fechou ao comércio, a 28 de fevereiro. A Tabela 1 responde às oito perguntas da série com o último dado publicado de cada fonte. A seguir, cada resposta traz a sua conta, feita como se fosse à mão, para a poder verificar com papel e lápis.

Tabela 1 — Ponto de situação, dia 241: as oito perguntas, respondidas pelos dados.
Tabela 1 — Ponto de situação, dia 241: as oito perguntas, respondidas pelos dados.

Cada linha é uma pergunta da série. A coluna do meio dá a resposta com o último dado publicado, e não com uma estimativa; a da direita diz quem produziu o dado. Leia a tabela como o boletim da capitania: não diz o que vai acontecer amanhã, diz o estado do mar esta manhã. Quando o dado muda, o painel muda a resposta; a tabela deste artigo fica como fotografia do dia 241.

P1. A porta já abriu?

Não. Na semana de 12 a 18 de outubro passaram por Ormuz, em média, 3,7 navios por dia. No inverno antes da crise passavam 68. É como uma autoestrada com 68 carros por hora que de repente fica com menos de 4.

A conta, à mão

  1. Os 7 valores diários publicados pelo FMI, de 12 a 18/10: 3, 7, 3, 2, 7, 0 e 4 navios.
  2. Soma: 3 + 7 + 3 + 2 + 7 + 0 + 4 = 26. Média: 26 ÷ 7 = 3,71 navios por dia.
  3. O normal: os 58 dias de 1/1 a 27/2/2026 somam 3947 navios; 3947 ÷ 58 = 68,1 navios por dia.
  4. Quanto passa hoje, em percentagem do normal: 3,71 ÷ 68,1 = 0,0545, ou seja, 5,5%. Faltam 94,5%.
  5. O limiar da porta é metade do normal: 68,1 × 0,5 = 34,0. Como 3,71 é menor do que 34,0, a porta continua «fechada» para o painel.
Figura 2 — A porta: navios que atravessam Ormuz por dia, de outubro de 2025 a 18 de outubro de 2026.
Figura 2 — A porta: navios que atravessam Ormuz por dia, de outubro de 2025 a 18 de outubro de 2026.

As barras claras são os navios de cada dia; a linha escura é a média dos últimos 7 dias, que tira o ruído de um dia isolado. A linha verde é o normal que o painel usa (68,1) e a vermelha é o limiar (34,0, metade do normal). A linha cinzenta pontilhada, mais acima, é a média de 2025 (85,5), que os episódios anteriores usavam. O desenho conta a história sem palavras: um vale profundo a partir de 28 de fevereiro, uma pequena subida em julho que nunca chegou ao limiar, e desde agosto uma linha colada ao chão.

P2. Quanto mais caro está o petróleo?

O barril de Brent físico, o petróleo entregue já, custou em média 123,1 dólares na semana até 20 de outubro. No inverno custava 68,7. Quem pagava 10 euros por uma coisa feita com petróleo paga hoje perto de 18.

A conta, à mão

  1. Os 7 últimos valores publicados (12 a 20/10, só dias úteis): 129,95; 125,78; 126,55; 126,35; 119,33; 118,82; 115,22 dólares.
  2. Soma: 862,00. Média: 862,00 ÷ 7 = 123,14 dólares.
  3. O normal: 41 dias úteis de 1/1 a 27/2 somam 2816,39; 2816,39 ÷ 41 = 68,69 dólares.
  4. Variação: (123,14 ÷ 68,69 − 1) × 100 = (1,793 − 1) × 100 = +79,3%.
  5. Os 10 euros do exemplo: 10 × 123,14 ÷ 68,69 = 17,93 euros.

P3. Em que onda estamos?

A série descreveu cinco ondas, como peças de dominó: a 1.ª, a energia presa (o petróleo e o gás que não saem do Golfo; por exemplo, o gasóleo mais caro na bomba); a 2.ª, o transporte e os adubos mais caros (por exemplo, a ureia, o adubo mais usado no mundo); a 3.ª, menos adubo nos campos (os agricultores compram menos porque o adubo ficou caro face ao que vão vender); a 4.ª, colheitas menores e cereais mais caros (por exemplo, o trigo da farinha do pão); e a 5.ª, a comida mais cara no supermercado.

Hoje estão ativas a 1.ª e a 4.ª. A 2.ª e a 3.ª chegaram em março e recuaram em junho. A 5.ª ainda não passou o limiar, nem na área do euro nem em Portugal. A Figura 3 mostra onde está cada uma.

Figura 3 — Onde está cada onda: variação face ao normal no último dado publicado.
Figura 3 — Onde está cada onda: variação face ao normal no último dado publicado.

Cada faixa é uma onda. A barra mostra quanto o último valor está acima (para a direita) ou abaixo (para a esquerda) do normal; a linha tracejada é o limiar a partir do qual a onda conta como chegada. Vermelho quer dizer ativa hoje; laranja, chegou e já recuou; verde, ainda não chegou. A 2.ª e a 3.ª ondas estão abaixo de zero: hoje a ureia está mais barata do que no inverno. A 5.ª mede-se em pontos percentuais de inflação, e não em percentagem, e por isso tem a sua própria escala.

A conta, à mão

  1. 4.ª onda (cereais, índice da FAO): normal = (107,5 + 108,7) ÷ 2 = 108,1. Setembro: 122,8. Variação: (122,8 ÷ 108,1 − 1) × 100 = +13,6%. Limiar: 108,1 × 1,05 = 113,5. Como 122,8 > 113,5, está ativa.
  2. 2.ª onda (ureia): normal = (415,4 + 472,0) ÷ 2 = 443,7 dólares por tonelada. Setembro: 407,5. Variação: (407,5 ÷ 443,7 − 1) × 100 = −8,2%. Limiar: 443,7 × 1,15 = 510,3. Abaixo do limiar: recuou.
  3. 5.ª onda (inflação dos alimentos na área do euro): normal = (2,2 + 2,1) ÷ 2 = 2,15%. Limiar: 2,15 + 1 = 3,15%. Setembro: 1,1%. Ainda não chegou.
  4. Portugal: normal = (3,3 + 3,7) ÷ 2 = 3,5%; limiar = 4,5%. Em abril houve 4,6%, mas só nesse mês; a regra pede dois meses seguidos, para não confundir um pico com uma onda.

P4. O plano B está a aguentar?

Em parte. O plano B da Arábia Saudita, o oleoduto Leste–Oeste, leva até 7 milhões de barris por dia para o Mar Vermelho, contornando o estreito. Por Ormuz passavam 17,1 milhões. O plano B cobre cerca de 41% do plano A, e parou em setembro, depois de vários ataques, segundo o Ministério da Energia saudita, e de novo a 4 de outubro. À saída do Mar Vermelho, Bab el-Mandeb tem 75% do tráfego normal.

A conta, à mão

  1. Capacidade: 7 ÷ 17,1 = 0,409, ou seja, cerca de 41%.
  2. Bab el-Mandeb: o normal é 35,2 navios por dia; 75% de 35,2 = 0,75 × 35,2 = 26,4 navios por dia.

P5. Quanto já me custou?

Encher um depósito de 50 litros de gasóleo custa hoje mais 26,05 euros do que a 1 de fevereiro. O cabaz de 63 bens essenciais da DECO custa mais 3,07 euros do que a 27 de fevereiro; chegou a custar mais 7,22 euros em maio. Uma família que enche dois depósitos por mês gasta mais cerca de 52 euros por mês só em combustível.

A conta, à mão

  1. Gasóleo (preço médio da DGEG, via imprensa): 1,659 € a 1/2; 2,180 € a 2/10. Diferença por litro: 2,180 − 1,659 = 0,521 €. Num depósito: 50 × 0,521 = 26,05 €.
  2. Dois depósitos por mês: 2 × 26,05 = 52,10 €.
  3. Cabaz da DECO: 256,26 € a 14/10; 253,19 € a 27/2. Diferença: 256,26 − 253,19 = 3,07 €. Em maio: 260,41 − 253,19 = 7,22 €.

P6. Quando vai ficar mais cara a comida?

Ainda não ficou, pela régua do painel. A série registou a 14 de outubro uma previsão, a P06: o pico da 5.ª onda na área do euro acontece em março ou abril de 2027. É a mesma régua de 2022, quando a comida subiu cerca de seis meses depois da energia. O painel vai dizer, com os dados, se acertou.

P7. As previsões estão a acertar?

Ainda não se sabe, e o painel diz isso mesmo. As oito previsões do episódio 3 ficaram registadas com a data em que foram feitas e com o teste que as vai avaliar. Nenhuma janela fechou ainda. A primeira fecha a 31 de dezembro: o cabaz da DECO vai custar mais do que 256,26 euros? A página das previsões mostra-as todas, e nenhuma pode ser apagada nem reescrita.

P8. Quando volta tudo ao normal?

Não há data confirmada. Há dois factos: a QatarEnergy prolongou a força maior sobre o gás liquefeito até ao início de dezembro, confirmado pela Edison, que é parte do contrato; e as notícias sobre negociações para reabrir o estreito contradizem-se. A 25 de outubro, uma proposta iraniana de reabertura foi noticiada e desmentida no mesmo dia por fontes iranianas. No painel, isso fica registado como contestado, com as duas versões lado a lado.

O painel não adivinha. Mede, conta, regista, e diz «ainda não se sabe» quando ainda não se sabe.

O que o painel nos obrigou a corrigir

Construir o painel obrigou a pôr todas as séries na mesma régua. Quatro afirmações dos episódios anteriores ficam corrigidas, ou explicadas, na Tabela 2. As versões anteriores continuam publicadas, com a data: corrigir faz parte do método.

Tabela 2 — O que o painel nos obrigou a corrigir.
Tabela 2 — O que o painel nos obrigou a corrigir.

A primeira coluna diz o que estava em causa; a segunda, o que os episódios 1 a 4 diziam; a terceira, o que o painel mede hoje; a quarta, porquê. Nenhuma correção muda a conclusão da série: a porta continua quase fechada e as ondas continuam a andar. Mudam os pormenores, e os pormenores são o que permite a cada leitor verificar.

O caso do Brent merece uma linha. Há dois preços: o do petróleo entregue já (o físico) e o do contrato para entrega no futuro. Quando falta petróleo hoje, o de hoje vale mais. A 19 de outubro, a diferença foi de 118,82 − 108,09 = 10,73 dólares por barril. O painel usa o físico, porque é esse que chega às refinarias desta semana.

Como funciona o painel

Pense no painel como na capitania da Póvoa: há instrumentos que medem (os dados abertos), alguém que regista (o registo de factos), uma regra para subir cada bandeira (as contas), e um mastro que todos veem (as páginas). A Figura 4 mostra o caminho.

Figura 4 — Como funciona o painel: dos dados abertos à resposta, todos os dias.
Figura 4 — Como funciona o painel: dos dados abertos à resposta, todos os dias.

Lê-se da esquerda para a direita. Em cima, os números: duas vezes por dia, o painel vai buscar os dados abertos do FMI, do FRED, do Eurostat, da FAO, do Banco Mundial, da DECO e da DGEG, faz as contas (o normal, a média de 7 dias, o limiar e a persistência) e acende o relógio das ondas, o mapa e a matriz. Em baixo, as palavras: as notícias entram no registo de factos e só passam a facto quando cumprem a regra das três origens; só os factos confirmados acendem o mapa e entram nas respostas. As previsões ficam no meio: registadas com data, avaliadas pelos dados.

As contas. Todas as séries usam o mesmo normal: a média de 1 de janeiro a 27 de fevereiro de 2026, o inverno antes da crise. Uma onda só «chega» quando a série passa o limiar durante 7 dias seguidos (nas séries diárias) ou 2 meses seguidos (nas mensais). É a mesma ideia de um alarme de casa que só dispara se a porta ficar aberta mais de uns segundos: um golpe de vento não chega.

Os factos. Uma notícia entra como «auto», o nome que se dá ao primeiro registo de uma ocorrência. Passa a «em verificação» com duas origens independentes, e a «confirmado» com três, ou com a fonte primária, quem produz o dado. Cinco jornais que copiam a mesma agência contam como uma só origem. A Figura 5 mostra a escada com três casos desta semana.

Figura 5 — A escada dos factos: como um auto de notícia passa a facto confirmado.
Figura 5 — A escada dos factos: como um auto de notícia passa a facto confirmado.

Cada degrau é um estado. Em baixo, o F018: a Reuters noticiou a 23 de outubro que este é o mês com mais ataques a navios desde o início da guerra, e vários jornais repetiram a notícia; continua «auto», porque é uma só origem. No meio, o F016: doze navios atacados na semana até 16 de outubro, com duas origens. Em cima, o F011: a paragem do oleoduto saudita em setembro, confirmada pela agência oficial saudita, que é a fonte primária, e por mais quatro origens. À parte ficam os contestados, com as versões em conflito lado a lado, e os desmentidos, que nunca se apagam.

Quatro leitores novos. O mesmo número não se explica da mesma maneira a uma criança e a um engenheiro. O painel tem agora doze leituras, em duas filas: pelo nível de preparação nesta matéria (criança, família, escola, universidade) e pela profissão (jurista, contabilista, engenheiro, militar, geopolítica, geoestratégia, segurança, decisor). Os números são os mesmos para os doze; muda a forma de os dizer. A Figura 6 mostra a leitura da família.

Figura 6 — «Como quer ler?»: a leitura da família no painel, com as contas à vista.
Figura 6 — «Como quer ler?»: a leitura da família no painel, com as contas à vista.

É uma imagem do painel, tal como o leitor o vê. Em cima escolhe-se o nível ou a profissão; em baixo aparecem as frases dessa leitura, cada uma com a fonte (a etiqueta cinzenta) e, quando há um número calculado, a conta por extenso. Se escolher «Geopolítica», lê a ordem pela qual os efeitos confirmados chegaram a cada região; em «Segurança», os incidentes e o estado de cada facto. Em nenhuma leitura há opinião, intenções atribuídas ou culpados: só o que foi medido ou confirmado.

As notícias que chegam sozinhas

O registo de factos tem agora dois canais RSS, abertos e sem registo. O primeiro, factos.xml, traz um aviso sempre que um facto entra no registo ou muda de estado, com as ligações a todas as fontes. O segundo, candidatos.xml, traz todos os dias as notícias que o painel encontra, em agregadores públicos, e que podem confirmar ou desmentir os autos ainda por confirmar.

As candidatas não contam como origem. Um exemplo da primeira recolha mostra porquê: o agregador apresentou com data de 25 de outubro uma notícia sobre ataques que cortaram a produção saudita e o caudal do oleoduto. Aberta a ligação, a notícia é de abril. Se contasse sozinha, teria confirmado o facto errado com a data errada. Por isso, cada candidata fica à vista, com ligação direta, à espera de que alguém a leia, confirme que diz o mesmo, sobre o mesmo dia, e que vem de uma origem independente.

Uma testemunha que chega depressa não vale mais do que uma testemunha que viu.

Como ler o painel em cinco minutos

1. Abra porta.aprecisa343.com e escolha, em «Como quer ler?», o seu nível ou a sua profissão. 2. No mapa das ondas, carregue em ▶ e veja a onda andar pelo mundo, dia a dia, desde 28 de fevereiro. 3. No relógio das ondas, abra «Ver a conta, passo a passo» num cartão e refaça a conta com a calculadora do telemóvel. 4. Na Cronologia, filtre por «Em verificação» e veja o que ainda não está confirmado. 5. Se quiser receber as mudanças sem voltar ao painel, copie o endereço do canal RSS para o seu leitor de notícias.

A Tabela 3 diz quando cada sinal muda. Os próximos a ver: a inflação rápida do Eurostat no fim de outubro, que pode mostrar se a 5.ª onda, a da comida mais cara, começou; e o índice da FAO no início de novembro, que diz se a 4.ª, a dos cereais, continua a subir.

Tabela 3 — O calendário dos sinais: o que o painel atualiza, e quando.
Tabela 3 — O calendário dos sinais: o que o painel atualiza, e quando.

A primeira coluna diz de quanto em quanto tempo cada fonte publica; a segunda, o quê; a terceira, a que pergunta responde. Os dados diários dizem se a porta abre; os mensais dizem por onde anda o dominó. Quem só tem cinco minutos por semana pode olhar apenas para a última linha publicada de cada um.

A sua vez

1. Qual das oito perguntas escolheu no início? Abra o painel e confirme a resposta com o dado de hoje. Escreva nos comentários o número da pergunta e se a resposta lhe serviu.

2. Escolha no painel o seu nível ou a sua profissão. A explicação ficou clara? Que número lhe faltou?

3. O facto F016, doze navios atacados na semana até 16 de outubro, precisa de uma terceira origem independente. Se a encontrar, deixe a ligação nos comentários. Se cumprir a regra, entra no registo, com a ligação que deixou.


Na Póvoa, ninguém agradece à bandeira. Olha-se para ela e decide-se: sair ou ficar. É isso que o painel quer ser: não mais uma opinião sobre a crise, mas o mastro onde, todas as manhãs, se vê o estado do mar.

O próximo episódio sai na terça-feira, 3 de novembro, dia 248. Até lá, o painel continua a responder.

Subscreva a newsletter para receber cada episódio às terças.

Cordialmente,
Gaspar do Amaral

Nota metodológica. (1) «Dia» são os dias completos desde 28/02/2026, data do fecho do estreito ao comércio; 27/10/2026 é o dia 241. (2) Os dados são os do painel a 26/10/2026, com o último valor publicado por cada fonte: FMI PortWatch até 18/10; FRED (Brent físico, série DCOILBRENTEU, da EIA) até 20/10; Banco Mundial, FAO e Eurostat até setembro; DECO a 14/10; DGEG a 2/10. (3) O normal de cada série é a média de 1/1/2026 a 27/2/2026; nas séries diárias, o valor de hoje é a média dos últimos 7 valores publicados; uma onda chega quando passa o limiar durante 7 dias seguidos (diárias) ou 2 meses seguidos (mensais). Limiares: porta, menos de 0,5 × normal; Brent, mais de 1,10 ×; ureia e ureia ÷ trigo, mais de 1,15 ×; cereais FAO, mais de 1,05 ×; inflação dos alimentos, normal + 1 ponto percentual. (4) Todas as contas do texto estão escritas por extenso nas caixas «A conta, à mão»; arredondamentos à décima ou à centésima no fim de cada conta. (5) A média de 2025 do tráfego em Ormuz, 85,5 navios por dia, é a média dos 365 valores diários do FMI desse ano. (6) Regra dos factos: confirmado = fonte primária ou 3 origens independentes; 2 = em verificação; 1 = auto; publicações que reproduzem a mesma agência contam como uma origem. (7) A capitania da Póvoa e a família dos dois depósitos são exemplos ilustrativos. Texto, figuras e tabelas do autor, com recurso a IA; a Figura 6 é uma imagem do painel.

Referências

  1. Gaspar do Amaral (27/09/2026). Dia 211: a porta estreita por onde passa a nossa resiliência (episódio 1). https://gaspardoamaral.aprecisa343.com/artigos/dia-211-a-porta-estreita-por-onde-passa-a-nossa-resiliencia/
  2. Gaspar do Amaral (06/10/2026). Dia 220: O azar nunca vem só (episódio 2). https://gaspardoamaral.aprecisa343.com/artigos/dia-220-o-azar-nunca-vem-so/
  3. Gaspar do Amaral (14/10/2026). Dia 228: O efeito dominó (episódio 3), com as previsões P01 a P08. https://gaspardoamaral.aprecisa343.com/artigos/dia-228-o-efeito-domino/
  4. Gaspar do Amaral (19/10/2026). As ondas pelo mundo e o seu plano (complemento ao episódio 3). https://gaspardoamaral.aprecisa343.com/artigos/as-ondas-pelo-mundo-e-o-seu-plano/
  5. Gaspar do Amaral (20/10/2026). Dia 234: A ilusão de ter dois (episódio 4). https://gaspardoamaral.aprecisa343.com/artigos/dia-234-a-ilusao-de-ter-dois/
  6. Painel A Porta Estreita (atualizado diariamente). Relógio das ondas, mapa, matriz, cronologia, previsões e leituras; método em porta.aprecisa343.com/metodo.html. https://porta.aprecisa343.com/
  7. FMI — PortWatch (até 18/10/2026). Travessias diárias dos pontos de passagem marítimos: Ormuz, Bab el-Mandeb, Suez, Cabo da Boa Esperança. https://portwatch.imf.org/pages/chokepoints
  8. FRED / EIA (até 20/10/2026). Preço do Brent físico (Europe Brent Spot Price FOB), série DCOILBRENTEU. https://fred.stlouisfed.org/series/DCOILBRENTEU
  9. Banco Mundial (outubro de 2026). Commodity Markets (Pink Sheet): ureia e trigo, preços mensais. https://www.worldbank.org/en/research/commodity-markets
  10. FAO (02/10/2026). Índice de preços dos alimentos e índice dos cereais. https://www.fao.org/worldfoodsituation/foodpricesindex/en/
  11. Eurostat (setembro de 2026). Índice harmonizado de preços no consumidor: alimentos, área do euro e Portugal. https://ec.europa.eu/eurostat/databrowser/view/prc_hicp_minr/default/table
  12. DECO PROteste, via Folha Nacional / Lusa (14/10/2026). Cabaz de 63 bens essenciais: 256,26 euros. https://folhanacional.pt/2026/10/14/cabaz-alimentar-subiu-70-centimos-e-atinge-25626-euros/
  13. Contas Poupança (02/10/2026). Preço médio do gasóleo simples em Portugal: 1,659 € a 1/2/2026 (DGEG). https://contaspoupanca.pt/carro/combustiveis/2026-10-02-preco-dos-combustiveis-na-proxima-semana--5-a-11-de-outubro--bf3fde87
  14. O Digital (DGEG / ACP) (02/10/2026). Preço médio do gasóleo simples: 2,180 € por litro. https://odigital.sapo.pt/combustiveis-descida-gasoleo-gasolina-5-outubro-2026/
  15. Agência de Imprensa Saudita (SPA) (11/09/2026). Oleoduto Leste–Oeste parado por precaução depois de vários ataques (Ministério da Energia). https://www.spa.gov.sa/en/N2674017
  16. Türkiye Today / AFP (05/10/2026). Oleoduto Leste–Oeste volta a parar depois de ataque a estação de bombagem perto de Khurais. https://www.turkiyetoday.com/region/saudi-east-west-pipeline-halted-again-after-fresh-attack-3229662
  17. Al Jazeera (06/10/2026). Oleoduto Leste–Oeste: 7 milhões de barris por dia de capacidade. https://www.aljazeera.com/news/2026/10/6/saudi-arabia-says-east-west-pipeline-pumping-5-8-million-bpd
  18. Al Jazeera (17/10/2026). Pelo menos 12 navios atacados na semana até 16/10 (UKMTO). https://www.aljazeera.com/news/2026/10/17/us-and-iran-both-claim-control-of-strait-of-hormuz-amid-attacks-on-vessels
  19. Reuters, via ThePrint (23/10/2026). Ataques a navios em Ormuz em máximo de outubro: 28 em outubro, 113 desde 28/02 (Washington Institute); 135 incidentes até 16/10 (UKMTO). https://theprint.in/world/ship-attacks-in-strait-of-hormuz-hit-record-high-in-october/3080023/
  20. Euro-Petrole / Edison (29/09/2026). QatarEnergy prolonga a força maior até ao início de dezembro de 2026. https://www.euro-petrole.com/edison-qatarenergy-extends-force-majeure-until-the-beginning-of-december-2026-n-i-30707
  21. Straits.live — boletim diário (25/10/2026). Proposta iraniana de reabertura noticiada (Laodong, ANI) e desmentida (Mehr); Brent a 116,72 dólares no fecho de sexta-feira. https://straits.live/briefs/2026-10-25
  22. EnergyNow / Bloomberg (abril de 2026). Ataques cortam a produção saudita e o caudal do oleoduto Leste–Oeste (exemplo de notícia candidata com data trocada pelo agregador). https://energynow.com/2026/04/attacks-cut-saudi-oil-output-and-east-west-pipeline-flow-state-news-agency-says/

Siga as ondas, todos os dias

As cinco ondas desta série são medidas todos os dias no Painel «A Porta Estreita», com dados abertos: a 1.ª, energia presa (navios em Ormuz e petróleo Brent); a 2.ª, transporte e adubos mais caros (preço da ureia); a 3.ª, menos adubo nos campos (ureia comparada com o trigo); a 4.ª, colheitas menores e cereais mais caros (índice da FAO); e a 5.ª, comida mais cara (inflação dos alimentos e cabaz da DECO). Cada número traz a conta feita passo a passo, para a poder refazer com papel e lápis.

Pense num boletim meteorológico: o artigo explica como se formam as tempestades; o painel diz que tempo faz hoje. E as previsões da série ficam registadas com a data em que foram feitas, para que os próprios dados digam se acertaram.

A discussão está no LinkedIn

A discussão abre no LinkedIn a 27 de outubro de 2026, com a publicação deste episódio na newsletter «A Porta Estreita». Concorde, discorde ou acrescente dados: todas as objeções fundamentadas recebem resposta.

Gaspar do Amaral · 27 de outubro de 2026 · Texto publicado primeiro neste site, que é a versão de referência; depois, na newsletter do LinkedIn · Imagens © Aprecisa.com