Resiliência · Newsletter “A Porta Estreita” · Episódio 3
Dia 228: O efeito dominó
O choque de hoje só chega ao supermercado daqui a alguns meses
Gaspar do Amaral · 14 de outubro de 2026
Adaptação do original em português de Portugal. Esta versão foi emitida em 27 de outubro de 2026.
Neste site, este artigo foi
Episódio 3 da série “A Porta Estreita”. O choque de Ormuz começou há 228 dias. O petróleo sentiu em horas. A sua cesta de compras está sentindo agora. E o mais pesado pode ainda não ter chegado. Não por pessimismo, mas pela forma como funcionam as cadeias de abastecimento.
Antes de ler, responda de cabeça: desde fevereiro, o diesel ficou 31% mais caro. Quanto você acha que subiu, no mesmo período, a cesta de 63 itens essenciais acompanhada pela DECO (a associação de defesa do consumidor de Portugal)? Guarde o número. A resposta está no meio do artigo e vai surpreender você.
Segunda-feira, oito da manhã. Um caminhão capota na rodovia, na entrada da cidade.
Às oito e meia, a GNR (a guarda nacional portuguesa, que policia as estradas) já liberou as pistas. O acidente acabou.
Às nove e meia, o seu António sai de casa, a vinte quilômetros dali, e fica parado na rotatória da sua rua. Olha para o celular: nenhum acidente indicado na região. Não entende por quê.
A causa desapareceu há uma hora. O efeito está chegando agora à porta dele.

A figura é lida da esquerda para a direita, como um relógio. A caixa vermelha é a causa e já desapareceu quando as caixas laranja, os efeitos, chegam à sua rua. Quem só olha para a rotatória nunca vê o acidente. Quem só olha para o acidente acha que o problema já acabou.
Isso é o efeito dominó. E é a razão pela qual quase todo mundo olha para o lugar errado.
O choque que você vê hoje no noticiário é o acidente. O que vai pagar no supermercado é a fila. E a fila ainda está a caminho.
Hoje, dia 228
Hoje, 14 de outubro, é o dia 228. A última contagem publicada pelo PortWatch, o monitor de tráfego marítimo do Fundo Monetário Internacional (FMI), continua sendo a de 4 de outubro: 4 travessias, contra 85 por dia antes da crise, cerca de 5% do normal. Faz dez dias que não sai uma contagem nova. Num monitor que conta navios pelo sinal que eles mesmos emitem, o silêncio também é um dado: muitos navios navegam com o sinal desligado.
Ontem, um petroleiro e um navio porta-contêineres foram atingidos por projéteis de origem desconhecida no estreito. Hoje de manhã, segundo o UKMTO, o centro britânico de operações de comércio marítimo, citado pela imprensa do setor, mais dois navios foram atingidos. Em 11 de outubro, um drone atingiu o petroleiro Petro Dolphin e dois marinheiros indianos estão desaparecidos. O seguro de risco de guerra de um petroleiro custa, segundo estimativas, cerca de 30 vezes o valor de antes da crise. E o Brent, o petróleo de referência na Europa, subiu para cerca de 106 dólares por barril, contra cerca de 72 antes de 28 de fevereiro.
A porta continua quase fechada. Mas este episódio não é sobre a porta. É sobre o que já passou por ela e ainda não chegou até você.
1. O resultado do teste de vocês: zero
No episódio 2 pedi a você um número de 0 a 5: quantas das coisas essenciais da sua casa param se faltar luz. Prometi publicar o resultado. Cumpro a promessa: a publicação foi vista mais de mil vezes, recebeu cinco reações e nenhum número.
Não é uma crítica a quem leu. É o resultado mais instrutivo que eu poderia ter recebido. Ler sobre um risco leva dois minutos; parar dez minutos para medi-lo já é outra coisa. É exatamente o que acontece nas organizações: o plano de emergência é lido, aprovado e arquivado, e o teste fica para depois. Até o dia em que a luz se apaga.
Um plano que nunca foi testado não é um plano. É uma hipótese.
2. Cinco peças, cinco atrasos
No episódio 1 (em português de Portugal) descrevi a crise como um dominó de cinco peças. Cada peça derruba a seguinte, mas com um atraso cada vez maior. Passaram-se sete meses. Já é possível pôr uma data em cada peça.
Cada peça do dominó que cai levanta uma onda. O dominó diz a ordem; as ondas dizem quando e onde cada peça chega. A imagem mostra as cinco, uma a uma, com o que está em jogo e um exemplo em casa e na empresa.

Leia a imagem da esquerda para a direita, como uma fila de dominós. Cada cartão é uma onda: no alto, quanto tempo demora para chegar; no meio, o que está em jogo; embaixo, um exemplo real de 2026 em casa e outro na empresa. Repare nas duas primeiras linhas “Em casa”: nas ondas 2 e 3 nada se vê na prateleira, e é justamente por isso que quase ninguém se prepara. A seta vermelha marca onde estamos hoje.

Leia a tabela de cima para baixo, como quem conta os dias. A primeira onda chegou no próprio dia do fechamento; a segunda, 46 dias depois; a terceira, depois de três meses; a quarta e a quinta, mais de sete meses depois. A linha cor-de-rosa é a de hoje: a comida mais cara está começando a chegar à cesta portuguesa e ainda está a caminho do resto da Europa.
A consequência prática é desconfortável. Mesmo que Ormuz reabrisse amanhã, as ondas que já partiram continuariam chegando durante meses. Como na rodovia: liberar o acidente não desfaz a fila que já se formou.
Pare 10 segundos: na sua casa ou na sua empresa, qual foi a última coisa que ficou mais cara? E há quantos meses começou a causa?
3. Por que o pão sobe menos, e mais tarde
Se o diesel subiu 31%, por que o pão não subiu 31%? Porque o preço final é uma mistura. Cada ingrediente do custo pesa uma parte, e só essa parte sobe.

Do lado esquerdo está a “receita” do custo de um pão: farinha, energia do forno, transporte, mão de obra e o resto. Cada barra é o peso dessa parte no custo e quanto ela subiu. Do lado direito está quanto cada parte empurra o preço final. As partes que não sobem, como a mão de obra neste exemplo, diluem o choque. É por isso que o pão sobe muito menos do que o diesel.
A equação:

Δp (lê-se “delta p”) é a subida do preço final. Cada q é o peso de uma parte no custo; a farinha, por exemplo, pesa 30%. Cada Δc é quanto subiu essa parte. Multiplica-se o peso pela subida e somam-se as parcelas: 0,30 × 5% + 0,10 × 15% + 0,10 × 20% = 1,5 + 1,5 + 2,0 = 5,0%.
Há uma segunda lição escondida. Uma parte do custo só passa para o preço quando acaba o estoque antigo, comprado barato. A farinha que hoje está no depósito da padaria foi comprada há meses. Entre a causa e o preço existe uma camada de estoques e de contratos que funciona como amortecedor e, ao mesmo tempo, como relógio. É essa camada que cria o atraso.
A régua de 2022: o Banco Central Europeu (BCE) estimou que a energia direta representa apenas cerca de 3% dos custos não salariais do setor de alimentos da zona do euro. Parece pouco. Mas os mesmos dados mostram a força do atraso: o preço do gás no atacado atingiu o máximo em setembro de 2022; a inflação dos alimentos atingiu o pico, perto de 15%, em março de 2023. Seis meses depois. A energia entra pouco pela porta da frente e muito pelas portas laterais: o adubo, o frete, a embalagem, a refrigeração.
Em 2022, o gás bateu no teto em setembro. O prato bateu no teto em março. A fila demorou seis meses para chegar à mesa.
4. A resposta à pergunta do início
O diesel passou de 1,659 euro por litro, em 1º de fevereiro, para 2,180 euros, em 2 de outubro: mais 31%.
E a cesta? Em 27 de fevereiro, véspera do fechamento do estreito, custava 253,19 euros. Em 7 de outubro custava 255,56 euros. Mais 2,37 euros. Menos de 1%.

Cada ponto é um valor semanal da cesta de 63 itens publicado pela DECO; entre alguns pontos há semanas sem valor coletado para este gráfico. A linha vermelha tracejada marca o fechamento do estreito. O que importa é a forma: um primeiro solavanco na primavera, um verão de altos e baixos entre 253 e 257 euros e uma nova subida justamente quando os cereais disparam nos mercados mundiais.
Quem respondeu “perto de 30%” confundiu o acidente com a fila. Quem respondeu “quase nada” acertou. Por enquanto.
Porque os sinais da semana passada são o início da 5.ª onda, a da comida mais cara: a cesta subiu 1,34 euro numa só semana; os cereais integrais subiram 29% em sete dias; o carapau está 42% mais caro do que há um ano; desde janeiro, a cesta já subiu 5,68%. E a FAO avisou, em 2 de outubro, que se essas pressões se mantiverem, vão passar em breve para os preços pagos pelos consumidores.
Se 2022 servir de régua, com cerca de seis meses entre o pico da energia e o pico do prato, a subida que hoje está nos mercados mundiais de cereais deve ir chegando ao supermercado ao longo do inverno e da primavera. Não é uma profecia. É a soma dos atrasos.
Faça a conta na sua casa: procure um cupom fiscal de compras de fevereiro e compare com o desta semana. Conte nos comentários quanto subiu o seu, em porcentagem.
5. A mesma onda, quatro continentes
A pedra caiu num só lugar, mas a fila se espalha pelo mundo todo, e em cada continente entra por uma porta diferente.
![Dia 228, hoje: em Portugal começa a 5.ª onda, a da comida mais cara. A cesta da DECO subiu 1,34 euro numa semana. Imagem em português de Portugal. Título: “Dia 228 · 14 de outubro de 2026 — HOJE. Em Portugal começa a 5.ª onda: a comida mais cara chega à cesta.” No alto, à esquerda: “O dominó: peças já caídas” (1 a 5). AMÉRICA DO NORTE: gasolina 4,33 US$/galão (14/10), ainda cerca de +37% em um ano. EUROPA: energia +18,8%, alimentos +1,4%: a 5.ª onda está à porta. MAR NEGRO — desde 22/07. OLEODUTO SAUDITA — set., out. PORTUGAL: cesta da DECO +1,34 € numa semana; cereais integrais +29% (07/10). GOLFO — onde caiu a pedra: Golfo −4,3%; Catar −20,9% em 2026; Brent = 106 US$ (era 72). JAPÃO: gasolina travada perto de 170 ¥/L com subsídios do Estado. ÁSIA DO SUL: Índia paga 26,4 US$ pelo gás que na primavera custava 17 a 19. AMÉRICA DO SUL (BRASIL): importa ~85% dos adubos; 41% da ureia passava por Ormuz. MERCADOS MUNDIAIS: alimentos no máximo desde 2022; cereais +5,1% num mês (FAO). ROTAS MARÍTIMAS: 4 navios atingidos em dois dias; seguro de guerra ~30× o normal. Legenda: 1.ª energia presa; 2.ª transporte e adubos; 3.ª menos adubo; 4.ª colheitas menores; 5.ª comida mais cara. Linha do tempo: 1.ª, dia 0 (28/02); 2.ª, dia 46; 3.ª, dia 89; 4.ª, dia 216; 5.ª, dia 221; HOJE, dia 228; inverno. Embaixo: “Cada peça do dominó que cai levanta uma onda. Círculos: Ormuz; roxo e castanho [marrom]: outras pedras (Mar Negro, oleoduto saudita). Não têm número nem medem distâncias. Dados das fontes indicadas no artigo, na data de cada mapa.”](img/imagem-07.webp)
A novidade é o carrinho de compras em Portugal: é a 5.ª onda chegando à cesta. Na Europa, a energia já está 18,8% mais cara, mas os alimentos ainda só sobem 1,4%: o carrinho europeu ainda não apareceu.
Europa: entra pela conta de energia. Energia +18,8% em um ano; alimentos ainda só +1,4%. A 5.ª onda, a da comida mais cara, está à porta.
América do Norte: entra pela bomba de gasolina. O galão custava 4,41 dólares em 1º de outubro, 40% a mais em um ano, num país que produz mais petróleo do que consome.
América do Sul: entra pelo adubo. O Brasil importa cerca de 85% dos adubos que usa. Menos adubo hoje é menos soja amanhã, e essa soja alimenta porcos e galinhas também na Europa.
Ásia: entra pelo apagão. O Paquistão programou cortes de luz e parou fábricas de adubo para mandar o gás para as usinas.
E outras pedras caíram na mesma piscina: os portos do Mar Negro, por onde sai cerca de 27% do trigo do mundo, quase pararam, e o oleoduto saudita que contornava Ormuz foi atingido duas vezes. Quando as ondas de duas pedras se encontram, elas se somam.
Veja as ondas andando: o vídeo de cerca de um minuto e meio com a evolução do dia 0 até o inverno, com as notícias que confirmam cada passo, está na publicação que acompanha este artigo.
A porta pode abrir num dia. A fila demora anos para se desfazer.
6. O relógio das ondas: agir na onda anterior
Se cada onda chega com atraso, esse atraso é tempo. E o tempo, em resiliência, é a única coisa que não se compra no dia da crise.
A regra é simples: a melhor hora para se preparar para uma onda é quando chega a anterior. O intervalo entre as duas é o seu prazo para decidir.
Hoje, dia 228, estamos entre a 4.ª onda, a das colheitas menores, e a 5.ª, a da comida mais cara e da inflação. Isso quer dizer que a hora de nos prepararmos para a comida mais cara é agora. Não quando ela aparecer no noticiário.
Em casa: rever o orçamento das compras para seis meses e não mês a mês; experimentar marcas e embalagens alternativas antes da subida, e não depois; manter uma despensa rotativa para duas semanas, que se consome e se repõe, para não desperdiçar.
Na empresa: perguntar a cada fornecedor quando acabam os estoques e contratos comprados a preço antigo, porque essa data é a data do seu próximo aumento; rever preços de venda e prazos de pagamento; proteger o caixa antes que a inflação chegue aos juros.
No Estado: acompanhar os indicadores das ondas anteriores, como os fretes, os adubos e o plantio, e não só o preço final. Quando a subida aparece na estatística da inflação, a janela para agir já fechou.
7. O que é previsível: o calendário até 31 de dezembro de 2028
Até aqui, o relatório do que já aconteceu. Agora, o plano do que é previsível acontecer, e em que data. É um cenário, não uma profecia: se apoia em três pressupostos que qualquer leitor pode verificar.
Os três pressupostos, todos com fonte: o estreito começa a reabrir em 31 de dezembro de 2026, o dia 306 (Banco Mundial); as ondas recuam na mesma ordem em que chegaram, e a descida é mais lenta do que a subida, como em 2022; e repor os estoques mundiais pode levar até dois anos (Aramco), ou seja, até 31 de dezembro de 2028, o dia 1037.
![O calendário das ondas até 31 de dezembro de 2028: a subida que já aconteceu e a descida previsível, em cenário. Imagem em português de Portugal. Título: “O calendário das ondas até 31 de dezembro de 2028: a subida que já aconteceu e a descida previsível.” “CENÁRIO — o que é previsível, não o que já aconteceu.” Linhas: 1.ª A energia fica presa; 2.ª Transporte e adubos mais caros; 3.ª Os agricultores põem menos adubo; 4.ª Colheitas menores; 5.ª Comida mais cara. Rótulos: “HOJE, dia 228”; “31/12/2026: o estreito começa a reabrir (pressuposto do Banco Mundial)”; “recua e volta ao normal”; “a recuar” [recuando]; “normal”; “pico provável da comida: mar.–abr. 2027 (régua de 2022: +6 meses)”; “31/12/2028: stocks [estoques] mundiais repostos (Aramco: até 2 anos)”. Eixo: 28/02/2026 · HOJE 14/10/2026 · 31/12/2026 · abr. 2027 · jul. 2027 · jan. 2028 · jul. 2028 · 31/12/2028. Embaixo: “Cor cheia: já aconteceu. Riscado: cenário de subida ou de preços altos. Caixa tracejada: cenário de recuo. As ondas recuam pela mesma ordem em que chegaram. Pressupostos: reabertura a partir de 31/12/2026 (Banco Mundial); atrasos do episódio 1; régua de 2022 (BCE); estoques repostos em até dois anos (Aramco). Se a reabertura atrasar, tudo se desloca para a direita.”](img/imagem-08.webp)
Cada linha é uma onda. A cor cheia, à esquerda da linha vermelha de hoje, é o que já aconteceu. O riscado é o tempo em que os preços devem continuar altos. A caixa tracejada é o recuo previsível. Repare na escada: a energia recua logo em janeiro de 2027, mas a comida só começa a descer em meados de 2027 e só termina de recuar no meio de 2028. O triângulo vermelho marca o pico provável da comida, em março e abril de 2027.

Leia a tabela de cima para baixo, como uma agenda. A última coluna é a mais importante: diz qual é a notícia que vai confirmar, ou desmentir, cada linha. É isso que transforma uma previsão num plano verificável. Nos próximos episódios, as linhas vão sendo riscadas à medida que as notícias chegarem.
A subida veio de elevador. A descida vem pela escada.
E se o estreito não reabrir em 31 de dezembro? Então todo o calendário anda para a direita. É a soma dos atrasos funcionando: cada mês de atraso na porta soma um mês a todas as ondas.
Guarde a Tabela 5. Daqui a três meses, compare com as notícias. É assim que se mede se um plano estava certo.
Nos comentários deste artigo, de dois em dois dias, três complementos em PDF:
- 15 de outubro, dia 229 — A piscina em quatro momentos: os quatro mapas das ondas, do dia 213 ao inverno.
- 17 de outubro, dia 231 — Quatro continentes e outras pedras: por onde a onda entra em cada parte do mundo, o Mar Negro, o oleoduto saudita e o que cada onda provoca no limite, a fome.
- 19 de outubro, dia 233 — O relógio das ondas: o que fazer em casa, na empresa e no Estado, e a ficha para fazer o seu plano em 10 minutos.
A numeração das tabelas é comum ao artigo e aos três complementos: aqui aparecem a Tabela 1 e a Tabela 5.
A sua vez
Responda nos comentários só com uma letra: qual é a próxima onda a chegar à sua casa ou à sua empresa?
- A) Combustível e energia
- B) Cesta de compras
- C) Parcela do financiamento e juros
- D) Ainda não sei, e isso me preocupa
E a segunda chance: faça o teste do episódio 2 e deixe aqui também o seu número, de 0 a 5. No episódio 4 publico o resultado, seja ele qual for.
Conhece alguém que faz as compras de um refeitório, de uma casa de repouso, de uma instituição particular de solidariedade social (IPSS, entidade portuguesa sem fins lucrativos de assistência social) ou de uma pequena empresa? Envio a essa pessoa o complemento 3, “O relógio das ondas”, que sai nos comentários em 19 de outubro, com a ficha para preencher. A janela para se preparar para a 5.ª onda, a da comida mais cara, está aberta agora.
O choque de hoje é notícia. A conta de amanhã é aritmética.
Este é o episódio 3 da série “A Porta Estreita”. Na próxima terça-feira, 20 de outubro: episódio 4, A ilusão de ter dois, por que dois fornecedores, duas rotas ou duas redes nem sempre valem dois.
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#Resiliência #CadeiasDeAbastecimento #SegurançaAlimentar #Inflação #GestãoDeRisco #Portugal
Siga as ondas, todos os dias
As cinco ondas desta série são medidas todos os dias no Painel “A Porta Estreita” (em português de Portugal), com dados abertos: a 1.ª, energia presa (navios em Ormuz e petróleo Brent); a 2.ª, transporte e adubos mais caros (preço da ureia); a 3.ª, menos adubo no campo (ureia comparada com o trigo); a 4.ª, colheitas menores e cereais mais caros (índice da FAO); e a 5.ª, comida mais cara (inflação dos alimentos e cesta da DECO). Cada número traz a conta feita passo a passo, para você poder refazê-la com papel e lápis.
Pense numa previsão do tempo: o artigo explica como se formam as tempestades; o painel diz que tempo faz hoje. E as previsões da série ficam registradas com a data em que foram feitas, para que os próprios dados digam se acertaram: ver se as previsões acertaram · para as escolas (em português de Portugal).
Nota metodológica
Nota metodológica do original. (1) “Dia” são os dias completos desde 28/02/2026; alguns monitores contam de outra forma e indicam um dia de diferença. (2) Diesel: (2,180 − 1,659) ÷ 1,659 = +31,4%. (3) Cesta: (255,56 − 253,19) ÷ 253,19 = +0,94%. (4) Os valores da cesta em 23/04 (260,89 €), 08/07 (256,71 €) e 23/09 (254,11 €) foram calculados a partir da variação semanal anunciada na semana seguinte; os demais são publicados pela DECO PROteste. (5) O intervalo de seis meses entre o pico do gás (setembro de 2022) e o pico da inflação de alimentos (março de 2023) é cálculo meu a partir das datas do BCE; o BCE não estima esse atraso. (6) O exemplo do pão usa pesos e subidas ilustrativos. (7) As datas das ondas na Tabela 1 são as dos fatos citados no texto; os atrasos típicos são os do episódio 1. (8) Mapa de hoje: os círculos são ilustrativos, sem medir distâncias; os ícones de cada região correspondem a fatos datados citados nas referências. (9) Calendário futuro: 31/12/2026 = dia 306; 31/12/2028 = dia 1037; os recuos usam, a partir da reabertura, os atrasos típicos do episódio 1; o pico da comida em março e abril de 2027 aplica a régua de 2022. Texto e figuras do autor, com recurso a IA.
O que é esta página. Uma adaptação para o português do Brasil do artigo que o autor publicou no LinkedIn em 14 de outubro de 2026, episódio 3 da newsletter “A Porta Estreita”; a versão integral em português de Portugal está neste site. Números, datas e contas são os do original.
Mudanças de forma, não de conteúdo. Foram omitidos os símbolos decorativos (emoji) e as linhas separadoras da versão do LinkedIn. As nove imagens originais são reproduzidas tal como estão, com os textos em português de Portugal; cada legenda reproduz a legenda original e os textos da imagem, com as palavras que mudam no Brasil entre colchetes ou adaptadas. Os links para as fontes são os do original; os títulos das fontes ficam na língua original. A seção “Siga as ondas, todos os dias” vem da página do artigo neste site.
Referências
- Straits.live (14/10/2026) — situação do Estreito de Ormuz: última contagem do IMF PortWatch (4 travessias em 04/10), Brent, seguro de risco de guerra
- Straits.live — boletim diário (14/10/2026) — mais dois navios atingidos no estreito, segundo o UKMTO, via The Maritime Executive
- Straits.live — boletim diário (13/10/2026) — petroleiro e porta-contêineres atingidos por projéteis de origem desconhecida no estreito
- Straits.live — boletim diário (12/10/2026) — ataque com drone ao petroleiro Petro Dolphin; dois marinheiros indianos desaparecidos
- FMI — PortWatch — tráfego diário no Estreito de Ormuz
- OMC — Organização Mundial do Comércio (10/07/2026) — fertilizantes: ureia acima de 850 USD/t em abril
- FAO (2026) — riscos para a segurança alimentar e o limite do plantio
- FAO (02/10/2026) — Índice de Preços dos Alimentos de setembro de 2026
- DECO PROteste, via DNoticias / Lusa (07/10/2026) — cesta de 63 itens: 255,56 €; +1,34 € numa semana; +5,68% desde janeiro
- DECO PROteste, via Renascença (27/02/2026) — cesta de 63 itens: 253,19 €
- DECO PROteste, via RTP (05/2026) — cesta atinge 261,89 €
- DECO PROteste, via ECO (13/05/2026) — cesta desce para 260,41 € após recorde
- Contas Poupança (02/10/2026) — preço médio do diesel em 01/02/2026 (1,659 €/L)
- DGEG / ACP, via O Digital (02/10/2026) — preço médio do diesel (2,180 €/L)
- INE, via TSF (30/09/2026) — inflação de 3,6% em setembro; energia +15,4%
- BCE — Boletim Económico 2/2024 (2024). What were the drivers of euro area food price inflation over the last two years? — quadro do Boletim Econômico do BCE sobre os fatores da inflação de alimentos
- Eurostat, via NewKerala (02/10/2026) — estimativa rápida da inflação da zona do euro em setembro: 3,8%; energia +18,8%; alimentos +1,4%
- AAA (01/10/2026) — preço médio nacional da gasolina nos EUA: 4,41 US$/galão; 3,16 um ano antes; setembro recorde
- ISTOÉ / Deutsche Welle (12/03/2026) — o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes (Embrapa); 41% da ureia importada em 2025 passou por Ormuz (Agrinvest)
- Reuters, via Datamar News (08/06/2026) — agricultores de soja brasileiros tinham comprado cerca de 50% do adubo de 2026/27, contra mais de 60% habitualmente
- Wood Mackenzie (12/10/2026) — Sul da Ásia: dependência do gás natural liquefeito do Catar; cortes de eletricidade; preços pagos pela Índia
- CSIS (26/08/2026) — Paquistão: cortes de eletricidade programados e fábricas de adubo paradas
- Nippon.com / Jiji (25/08/2026) — Japão mantém o preço-alvo da gasolina perto dos 170 ienes por litro
- DECO PROteste, via ECO / Postal / Observador / DNoticias / RTP (07–09/2026) — valores semanais da cesta no verão: 253,63 € (01/07), 256,46 € (15/07), 253,55 € (19/08), 254,73 € (02/09), 255,97 € (16/09)
- Observador / Lusa (19/08/2026) — cesta de alimentos sobe 1,48 euro, para 253,55 euros
- DailyFuels (09–10/2026) — preço médio do diesel em Portugal em setembro de 2026 (≈ 2,16 €/L)
- Straits.live — boletim diário (05/10/2026) — 239 navios com AIS parados na região do estreito e do Golfo
- Banco Mundial, via The National (06/10/2026) — previsões para o Oriente Médio e o Norte da África e para o Golfo em 2026
- CSIS (11/09/2026). How Do the Latest Black Sea Attacks Affect Global Food Security? — 27% do trigo mundial; portos parados; USDA −11%
- The Moscow Times (17/08/2026). Ukrainian Strikes Halt Most Russian Grain Exports in the Black Sea — exportações russas de grãos pelo Mar Negro
- Al Jazeera (12/09/2026). Saudi Arabia shuts critical oil pipeline after drone attack — fechamento do oleoduto saudita Leste-Oeste após ataque com drone
- Türkiye Today / AFP (05/10/2026). Saudi East-West pipeline halted again after fresh attack — nova paralisação do oleoduto saudita
- FAO e PAM (17/06/2026). Hunger Hotspots — 13 focos de fome; financiamento da ajuda alimentar −59% entre 2022 e 2025
- ONU News (17/03/2026). Middle East war risks pushing 45 million more people into acute hunger — mais 45 milhões de pessoas em risco de fome aguda
- Euronews (13/10/2026). «People survive on one meal a day»: Oleshky — Oleshky (não verificável de forma independente)
- Malay Mail / AFP (10/10/2026). A year after Gaza ceasefire, families still queue hours for one meal a day — Gaza: famílias fazem fila durante horas por uma refeição por dia
- Gaspar do Amaral (27/09/2026). Dia 211: A Porta Estreita por onde passa a nossa resiliência (episódio 1) — episódio 1 da série (em português de Portugal)
A discussão está no LinkedIn (em português de Portugal)
Os comentários a este texto são feitos no LinkedIn, onde o artigo foi compartilhado na versão de Portugal. Concorde, discorde ou acrescente dados: todas as objeções fundamentadas recebem resposta.
Gaspar do Amaral · Original em português de Portugal de 14 de outubro de 2026, publicado neste site; adaptação emitida em 27 de outubro de 2026 · Figuras e tabelas © Aprecisa.com · Com recurso a IA