Resiliência · Newsletter «A Porta Estreita»
Dia 234: A ilusão de ter dois
Porque é que dois fornecedores, duas rotas ou duas redes nem sempre valem dois
Gaspar do Amaral ·
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Episódio 4 da série «A Porta Estreita». Há 234 dias que a porta de Ormuz está quase fechada. Quem tinha um plano B respirou de alívio. Este episódio é sobre o que acontece quando o plano B depende da mesma coisa que o plano A.
👉 Antes de ler, conte de cabeça: quantos «planos B» tem em casa? Um segundo telemóvel, uma lanterna, um cartão de outro banco, uma botija de gás de reserva. Guarde o número. No fim do artigo, vai fazer-lhe três perguntas, e o número pode encolher.
Domingo à noite, numa casa em Guimarães. A dona Lurdes tem dois telemóveis: o do trabalho e o pessoal. Diz, com razão, que nunca fica sem contacto.
Às nove da noite, uma tempestade derruba a linha que abastece a rua. Falta a luz.
À meia-noite, os dois telemóveis estão a 10%. Tinham passado a tarde ligados ao mesmo carregador, na mesma tomada da cozinha. Às duas da manhã, os dois apagam-se quase ao mesmo minuto.
A dona Lurdes tinha dois telemóveis. Tinha uma tomada.

À esquerda está o que a dona Lurdes julgava ter: dois caminhos separados, em que a falha de um não toca no outro. À direita está o que tinha de facto: os dois telemóveis pendurados na mesma fonte, a caixa vermelha. Quando essa caixa falha, os dois falham juntos. Em engenharia chama-se a isto uma falha de causa comum. Troque «tomada» por «porta», «oleoduto», «cabo» ou «fornecedor» e o desenho continua certo.
Ter dois não é ter um plano B. Plano B é ter dois que não caem pela mesma razão.
Hoje, dia 234
Hoje, 20 de outubro, é o dia 234. Na semana que acabou a 16 de outubro, o UKMTO, o centro britânico de operações de comércio marítimo, registou pelo menos 12 navios atacados no estreito, o número mais alto desde o início da guerra. Um deles, o porta-contentores GFS Pride, afundou-se quando era rebocado para terra. Nesse dia, o barril de Brent tocou nos 110 dólares, o valor mais alto desde maio. Ontem, fechou nos 108,09 dólares.
Em Portugal, a 5.ª onda, a da comida mais cara, continua a chegar devagar. A 14 de outubro, o cabaz de 63 bens essenciais da DECO PROteste subiu pela segunda semana seguida e chegou aos 256,26 euros, mais 14,43 euros do que em janeiro. A pescada fresca subiu 17% numa semana.
Os episódios 2 e 3 explicaram porque é que os azares chegam juntos e porque é que chegam com atraso. Este episódio olha para o outro lado: para as defesas. Para o segundo fornecedor, a segunda rota, a segunda rede. Para o que nos deixa descansados.
1. O vosso teste, outra vez: zero
No episódio 3 pedi uma letra, A, B, C ou D: qual é a próxima onda a chegar à sua casa. Recebi gostos, recebi sete assinantes novos nesta semana. Não recebi nenhuma letra. No episódio 2 tinha pedido um número de 0 a 5 e o resultado foi o mesmo.
Não volto a ler isto como desinteresse. Leio-o como um dado: responder obriga a olhar para a própria casa, e isso custa mais do que ler sobre a casa dos outros. Por isso, neste episódio, a pergunta final pede só uma palavra: sim ou não.
2. O plano B que a Arábia Saudita construiu em 1981
A Arábia Saudita sabe há mais de quarenta anos que Ormuz é uma porta estreita. Por isso, em 1981, construiu um plano B: o oleoduto Leste–Oeste, com 1200 quilómetros, que leva o petróleo dos poços do Golfo até Yanbu, no Mar Vermelho, sem passar pelo estreito. Aguenta 7 milhões de barris por dia.
Durante esta crise, o plano B funcionou. Desviou cerca de 4 milhões de barris por dia, perto de 4% de todo o petróleo do mundo. Segundo a MEES, uma publicação especializada citada pelo OilPrice, permitiu à Arábia Saudita manter cerca de 65% das exportações de antes da guerra. É um bom plano B. Mas não é um plano B independente.
Repare onde ele foi atingido:
🔹 No caminho. De 11 a 22 de setembro, o oleoduto esteve parado cerca de 11 dias, depois de ataques com drones lançados do Iraque. A 4 de outubro, um novo ataque, reivindicado pelos houthis, atingiu uma estação de bombagem perto de Khurais, que nunca tinha sido alvo, e o oleoduto voltou a parar.
🔹 À saída. Os houthis reivindicaram ataques às instalações da Aramco em Yanbu a 16 e a 19 de setembro. O seguro de risco de guerra dos petroleiros que carregam em Yanbu triplicou para cerca de 3% do valor do navio: 3 milhões de dólares por viagem, num petroleiro de 100 milhões.
🔹 Depois da saída. Para chegar à Ásia, o petróleo de Yanbu tem de passar por Bab el-Mandeb, outra porta estreita, ao sul do Mar Vermelho. Por ali passam agora cerca de 30 navios por dia. Antes passavam 80.

A linha azul escura é o oleoduto: o plano B. A seta vermelha tracejada, à direita, é o plano A, a saída por Ormuz, que fechou. As cruzes vermelhas marcam onde o plano B foi atacado: a meio do caminho, em setembro e em outubro, e à saída, em Yanbu. A caixa laranja lembra que, mesmo depois da saída, há outra porta estreita. O plano B foi pensado para evitar uma porta. Não foi pensado para evitar a causa que fechou a porta: a guerra.
A 6 de outubro, o ministro da Energia saudita garantia que o oleoduto estava outra vez a bombear 5,8 milhões de barris por dia. O plano B voltou. Mas ficou provado o que este episódio quer mostrar: quando a causa é a mesma, o segundo caminho também está na mira.
O oleoduto contornou a porta. Não contornou a guerra.
3. A conta que engana
Vamos às contas, ao nível do 9.º ano. Imagine dois fornecedores. Cada um falha 10% das vezes, ou seja, 1 vez em cada 10 crises. Se forem independentes, se um não tiver nada a ver com o outro, a probabilidade de falharem os dois ao mesmo tempo é a multiplicação das duas:

Com 10% cada um: 0,1 × 0,1 = 0,01. Os dois falham juntos 1 vez em 100. É esta conta que nos deixa descansados quando temos dois.
Agora junte a causa comum. Imagine que metade das falhas de cada fornecedor vem da mesma causa: o mesmo estreito, a mesma guerra, o mesmo inverno. Quando essa causa aparece, leva os dois de uma vez. Os engenheiros que tratam de centrais nucleares e de aviões usam para isto um modelo simples, o do fator β (beta): β é a parte das falhas que é comum aos dois.
A primeira parte da equação, β × p, são as falhas que levam os dois de uma vez. A segunda parte é a velha multiplicação, mas só com as falhas que sobram, as independentes. Com β = 50% e p = 10%: 0,5 × 0,1 = 0,05, mais (0,5 × 0,1)² = 0,0025. Total: 0,0525. Os dois falham juntos cerca de 5 vezes em 100, e não 1.

Leia a tabela de cima para baixo. Na primeira linha, os dois são independentes: o segundo fornecedor divide o risco por 10. É isso que pagamos quando contratamos um segundo. Linha a linha, aumenta a parte das falhas com a mesma causa. Na linha destacada, com metade das falhas em comum, o segundo já só divide o risco por menos de 2. Na última, quando tudo vem da mesma causa, o segundo não divide nada: ter dois é o mesmo que ter um.
Sem causa comum, o segundo divide o risco por 10. Com metade das falhas em comum, divide-o por menos de 2. Paga-se por dois e recebe-se pouco mais do que um.
4. A mesma ilusão, em quatro continentes
Ásia: dois fornecedores, uma porta. O Japão compra o petróleo sobretudo a dois países: os Emirados Árabes Unidos, com 44%, e a Arábia Saudita, com 40%. Parecem dois. Mas 96% do petróleo japonês vem do Médio Oriente e cerca de 90% passa por Ormuz. Em abril, as compras ao Médio Oriente caíram 67,2% face a abril de 2025, o valor mais baixo desde 1979. Exemplo: é como ter duas lojas preferidas na mesma rua, abastecidas pelo mesmo armazém. Se o camião não chega, as duas ficam com as prateleiras vazias no mesmo dia.
Europa: trocar de fornecedor não é trocar de porta. Depois de 2022, Itália trocou parte do gás russo por gás natural liquefeito. Em 2025, cerca de 30% do gás liquefeito que comprou veio do Catar, que exporta pelo mesmo estreito. A QatarEnergy prolongou a força maior até ao início de dezembro de 2026: só a italiana Edison ficou sem 35 carregamentos e já teve de substituir 23. Portugal fez outra escolha: não recebe gás do Médio Oriente desde 2020 e compra sobretudo à Nigéria e aos Estados Unidos. Desta vez, Portugal tinha mesmo dois. Exemplo: mudar de bomba de gasolina não o protege de uma subida do petróleo; mudar para um carro elétrico, sim.
América do Sul: a alternativa dependia da mesma guerra. O Brasil importa toda a ureia que usa, 7,7 milhões de toneladas em 2025, e cerca de 41% passava por Ormuz. A alternativa óbvia era o Egito, grande exportador. Mas a ureia egípcia é feita com gás, e Israel suspendeu as exportações de gás para o Egito quando começou a guerra com o Irão. A saída de emergência dependia da mesma causa que tinha fechado a porta. Exemplo: é como pedir boleia ao vizinho quando o seu carro avaria, e descobrir que o vizinho abastece na mesma bomba, que ficou sem combustível.
América do Norte: dois sistemas que se seguravam um ao outro. Em fevereiro de 2021, uma vaga de frio paralisou o Texas. Segundo o relatório final dos reguladores americanos, 75,6% das avarias nas centrais elétricas vieram do gelo e da falta de combustível, sobretudo gás. E 21,5% da quebra na produção de gás deveu-se a cortes de luz nos próprios poços e estações. A luz precisava de gás; o gás precisava de luz. Caíram juntos. Foram cortados 20 000 megawatts, o maior corte manual de carga da história dos Estados Unidos. Exemplo: é a caldeira a gás que não arranca sem eletricidade. Tem gás e não tem aquecimento.
E no fundo do mar. A 6 de setembro de 2025, dois cabos submarinos, o SMW4 e o IMEWE, foram cortados perto de Jidá, no Mar Vermelho, e a internet ficou mais lenta nos Emirados, na Índia e no Paquistão. Eram cabos diferentes, de consórcios diferentes, mas passavam pelo mesmo corredor. Exemplo:duas estradas paralelas que atravessam o rio pela mesma ponte são, no dia da cheia, uma estrada só.

Cada linha é um «dois» que, quando chegou a crise, se portou como «um». A coluna «Dado real» mostra o facto que o prova, com a fonte e a data. A coluna «A lição» resume o erro numa frase. A linha de Portugal é a exceção: é o caso em que trocar de fornecedor foi também trocar de porta, e por isso esta onda do gás passou ao lado.
5. O teste da independência: três perguntas
A boa notícia é que a causa comum se encontra com três perguntas. Não é preciso software nem consultores. Pegue em cada «plano B» que tem, em casa ou na empresa, e pergunte:
1. Bebem da mesma fonte? A mesma energia, o mesmo combustível, o mesmo dinheiro, a mesma pessoa. Os dois telemóveis da dona Lurdes bebiam da mesma tomada.
2. Passam pela mesma porta? A mesma rota, o mesmo armazém, o mesmo cabo, a mesma estrada, a mesma ponte. O petróleo japonês tinha dois vendedores e uma porta.
3. Caem pelo mesmo motivo? O mesmo tempo, a mesma guerra, o mesmo preço. A ureia do Golfo e a do Egito caíram pela mesma guerra.

A tabela junta as três perguntas a exemplos de casa e de empresa. Leia-a por linhas: cada linha é uma forma diferente de dois se tornarem um. Um «sim» em qualquer linha não quer dizer que deite fora o seu plano B. Quer dizer que ele vale menos do que pensa, e que vale a pena separar o que está junto: um carregador portátil já carregado, um cartão de outro banco e algum dinheiro em casa, uma segunda fibra que entre no edifício por outro lado, um fornecedor que compre noutro continente.
Para a dona Lurdes, a solução custava 20 euros: uma bateria portátil, carregada e guardada na gaveta. Não era um terceiro telemóvel. Era uma segunda fonte.
Não precisa de ter mais coisas. Precisa de ter coisas que não caiam pela mesma razão.
6. O que isto quer dizer para a próxima onda
No episódio 3 vimos que a 5.ª onda, a da comida mais cara, está a chegar a Portugal. Nas prateleiras há dez marcas de massa, mas quase todas usam trigo comprado no mesmo mercado mundial, e chegam de camião, a gasóleo. Ter muitas marcas não protege da subida do trigo nem da do gasóleo. Ter na despensa o que comemos todas as semanas, comprado com tempo, protege um pouco mais.
Para as empresas, o exercício é o mesmo, com mais zeros. Quantos dos seus fornecedores «alternativos» compram a matéria-prima ao mesmo país? Quantas das suas duas ligações à internet entram no edifício pela mesma vala? Quantas das suas «duas» pessoas que sabem fazer aquilo de que o negócio depende vão de férias na mesma semana?
A sua vez
👉 Responda nos comentários só com uma palavra, sim ou não: os seus dois telemóveis, ou o seu telemóvel e o da sua família, carregam na mesma tomada?
👉 Se tiver mais um minuto: diga um «dois» que, depois de ler, descobriu que era «um». No próximo episódio publico os exemplos, sem nomes.
👉 Envie este artigo a quem trata do plano de contingência na sua empresa, no seu condomínio ou na sua junta de freguesia. As três perguntas cabem num post-it.
Este é o episódio 4 da série «A Porta Estreita». O episódio 1 mediu quanto tempo aguentamos. O episódio 2 mostrou porque é que os azares chegam juntos. O episódio 3 mostrou porque é que chegam com atraso. Este mostrou porque é que o plano B nem sempre nos salva. Na próxima terça-feira, 27 de outubro, sai o episódio 5.
Subscreva a newsletter para receber cada episódio às terças.
Cordialmente, Gaspar do Amaral
Nota metodológica. (1) «Dia» são os dias completos desde 28/02/2026, data do fecho do estreito; 20/10/2026 é o dia 234. (2) A Equação 2 é a forma simplificada do modelo do fator β, usado na análise de falhas de causa comum (NUREG/CR-5485): considera dois componentes iguais, com probabilidade de falha p numa crise, e uma fração β dessas falhas comum aos dois; ignora reparações e efeitos de ordem superior. (3) Os valores p = 10% e β = 0% a 100% da Tabela 1 são ilustrativos e não medem nenhum caso real; servem para mostrar a forma da relação. As contas da Tabela 1 são: P = β × 0,1 + [(1 − β) × 0,1]²; o «divide o risco por» é 0,1 / P. (4) O seguro de 3% num petroleiro de 100 milhões de dólares dá 3 milhões por viagem (100 × 0,03). (5) Os dados do Japão, de Itália, de Portugal, do Brasil, do Egito, do Texas e dos cabos são os das fontes indicadas, na data de cada uma. (6) A dona Lurdes, as lojas, o vizinho, a caldeira e as estradas são exemplos ilustrativos. Texto, figuras e tabelas do autor, com recurso a IA.
#Resiliência #GestãoDeRisco #CadeiasDeAbastecimento #Energia #Infraestruturas #Portugal
Referências
- Gaspar do Amaral (27/09/2026). Dia 211: A Porta Estreita por onde passa a nossa resiliência (episódio 1). https://www.linkedin.com/pulse/dia-211-porta-estreita-por-onde-passa-nossa-gaspar-do-amaral-vd9gc/
- Gaspar do Amaral (06/10/2026). Dia 220: O azar nunca vem só (episódio 2). https://www.linkedin.com/pulse/dia-220-o-azar-nunca-vem-s%C3%B3-gaspar-do-amaral-fatec
- Gaspar do Amaral (14/10/2026). Dia 228: O efeito dominó (episódio 3). https://www.linkedin.com/pulse/dia-228-o-efeito-domin%C3%B3-gaspar-do-amaral-tnpnc
- Gaspar do Amaral (19/10/2026). As ondas pelo mundo e o seu plano (complemento ao episódio 3). https://www.linkedin.com/pulse/ondas-pelo-mundo-e-o-seu-plano-gaspar-do-amaral-um5tc
- Al Jazeera (17/10/2026). EUA e Irão reclamam o controlo de Ormuz: pelo menos 12 navios atacados na semana até 16/10 (UKMTO); afundamento do GFS Pride; Brent a 110 dólares. https://www.aljazeera.com/news/2026/10/17/us-and-iran-both-claim-control-of-strait-of-hormuz-amid-attacks-on-vessels
- Straits.live — boletim diário (19/10/2026). Situação do Estreito de Ormuz: Brent a 108,09 dólares; ataques e negociações. https://straits.live/briefs/2026-10-19
- DECO PROteste, via Folha Nacional / Lusa (14/10/2026). Cabaz de 63 bens essenciais: 256,26 euros; +0,70 euros numa semana; +14,43 euros desde janeiro. https://folhanacional.pt/2026/10/14/cabaz-alimentar-subiu-70-centimos-e-atinge-25626-euros/
- Al Jazeera (06/10/2026). Arábia Saudita: oleoduto Leste–Oeste a bombear 5,8 milhões de barris por dia; 1200 km, 7 milhões de capacidade, construído em 1981. https://www.aljazeera.com/news/2026/10/6/saudi-arabia-says-east-west-pipeline-pumping-5-8-million-bpd
- Türkiye Today / AFP (05/10/2026). Oleoduto Leste–Oeste volta a parar após ataque a estação de bombagem perto de Khurais; paragem de 11 a 22/09 (Kpler). https://www.turkiyetoday.com/region/saudi-east-west-pipeline-halted-again-after-fresh-attack-3229662
- OilPrice.com (25/09/2026). Aramco repõe o oleoduto Leste–Oeste; ataques reivindicados contra Yanbu; seguro de risco de guerra a cerca de 3%; Bab el-Mandeb com 30 navios por dia. https://oilprice.com/Energy/Energy-General/Aramco-Restores-East-West-Pipeline-as-War-Risk-Closes-In-on-Yanbu.html
- Enerdata (31/08/2026). Japão: plano de resiliência energética; 96% do petróleo do Médio Oriente; EAU 44%, Arábia Saudita 40%. https://www.enerdata.net/publications/daily-energy-news/japan-unveils-energy-resilience-plan-96-oil-imports-come-middle-east.html
- Tank Terminals (22/05/2026). Japão: importações de crude do Médio Oriente em abril −67,2%, mínimo desde 1979. https://tankterminals.com/news/japans-crude-imports-from-middle-east-slump-to-lowest-on-record/
- Euronews (06/03/2026). Países da UE mais expostos à interrupção do GNL: Itália (~30% do Catar), Bélgica, Polónia; Portugal sem gás do Médio Oriente desde 2020. https://euronews.com/2026/03/06/which-eu-countries-are-most-exposed-to-the-lng-supply-disruption
- Euro-Petrole / Edison (29/09/2026). QatarEnergy prolonga a força maior até ao início de dezembro de 2026; 35 carregamentos afetados. https://www.euro-petrole.com/edison-qatarenergy-extends-force-majeure-until-the-beginning-of-december-2026-n-i-30707
- Reuters, via Baird Maritime (05/03/2026). Brasil: 7,7 milhões de toneladas de ureia importadas em 2025; cerca de 41% passou por Ormuz (Agrinvest). https://www.bairdmaritime.com/shipping/dry-cargo/bulkers/expanding-iran-conflict-threatens-brazil-grain-exports-fertiliser-supplies
- World Fertilizer (25/03/2026). Ureia egípcia continua a produzir apesar da falta de gás; Israel suspendeu as exportações de gás. https://www.worldfertilizer.com/materials-handling/25032026/egyptian-urea-production-continues-to-run-despite-gas-shortages/
- FERC — Federal Energy Regulatory Commission (16/11/2021). Relatório final sobre o frio de fevereiro de 2021: 75,6% das avarias por gelo e combustível; 20 000 MW de corte de carga. https://ferc.gov/news-events/news/final-report-february-2021-freeze-underscores-winterization-recommendations
- Telecom Review (08/09/2025). Cortes dos cabos SMW4 e IMEWE perto de Jidá aumentam a latência na Ásia e no Golfo. https://telecomreview.com/articles/wholesale-and-capacity/26154-international-cable-breaks-in-red-sea-cause-latency-surge-across-asia-and-gulf/
- U.S. NRC / INL (1998). NUREG/CR-5485 — Guidelines on Modeling Common-Cause Failures in Probabilistic Risk Assessment (modelo do fator β). https://nrcoe.inl.gov/publicdocs/CCF/NUREGCR-5485_Guidelines%20on%20Modeling%20Common-Cause%20Failures%20in%20PRA.pdf
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Siga as ondas, todos os dias
As cinco ondas desta série são medidas todos os dias no Painel «A Porta Estreita», com dados abertos: a 1.ª, energia presa (navios em Ormuz e petróleo Brent); a 2.ª, transporte e adubos mais caros (preço da ureia); a 3.ª, menos adubo nos campos (ureia comparada com o trigo); a 4.ª, colheitas menores e cereais mais caros (índice da FAO); e a 5.ª, comida mais cara (inflação dos alimentos e cabaz da DECO). Cada número traz a conta feita passo a passo, para a poder refazer com papel e lápis.
Pense num boletim meteorológico: o artigo explica como se formam as tempestades; o painel diz que tempo faz hoje. E as previsões da série ficam registadas com a data em que foram feitas, para que os próprios dados digam se acertaram.
A discussão está no LinkedIn
Os comentários a este texto fazem-se no LinkedIn, onde foi publicado a 20 de outubro de 2026. Concorde, discorde ou acrescente dados: todas as objeções fundamentadas recebem resposta.
Gaspar do Amaral · 20 de outubro de 2026 · Texto publicado primeiro no LinkedIn; a versão integral fica neste site, que passa a ser a de referência · Imagens © Aprecisa.com